Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Funcionários de confiança do prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), percorreram ontem repartições municipais pedindo para que os servidores assinassem uma declaração afirmando que não pretendem aderir a uma greve deflagrada em assembléia pelo sindicato da categoria no final da tarde de ontem. O Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu denunciou a atitude do prefeito, interpretando-a como uma forma de intimidação ao movimento. Os servidores pedem a normalização no pagamento dos salários da categoria.
A entidade divulgou uma nota de repúdio, em que considerou a medida como ‘‘ditatorial’’ e ‘‘uma tática de terrorismo’’. O sindicato também denunciou que o texto da declaração serviria como um termo de apoio à administração do prefeito. ‘‘Não fizemos nada de errado e não coagimos ninguém. Assinou a declaração quem compreende que nossa situação é dificil, mas passageira’’, afirmou João Paulo Hisatugo, coordenador de Auditoria e Controle Interno do Gabinete do Prefeito.
Hisatugo lembrou que até o dia 15, quase 4 mil dos 4,5 mil servidores do município estarão com os salários em dia. ‘‘Nosso servidor é um dos mais bem pagos do Estado, mas infelizmente deve continuar a dar sua cota de sacrifício até que superemos todos os problemas. O que não queremos é demitir ninguém’’, disse.
Há um ano, a prefeitura vem atrasando o pagamento do funcionalismo. Desde o início do ano, os pagamentos vêm sendo efetuados em um calendário especial: os que ganham menos recebem primeiro e os que ganham mais recebem depois.
Nesta semana, o prefeito Harry Daijó anunciou medidas de contenção de despesas, que inclui a transferência, no próximo mês, da sede da prefeitura e de todas as secretarias para o Edifício Classic, localizado no centro da cidade. Com a transferência, os gastos com aluguel das repartições será reduzido em R$ 50 mil por mês.
Também fazem parte das medidas, o controle das despesas com água, luz, telefone, utilização de carros da prefeitura, limitação das viagens e suspensão de horas extras dos servidores, que juntos significarão uma economia de R$ 200 mil.
Segundo o prefeito, a situação econômica de sua administração se agravou com a queda na receita do Fundo de Participação do Município (FPM). Em janeiro deste ano, o repasse do FPM chegava a R$ 1,08 milhão (o que significava 10,74% do orçamento municipal). Em julho, a parcela caiu para R$ 730 mil (5,88% do orçamento).

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