Servidores de Cambé anunciam paralisação
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quarta-feira, 07 de novembro de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Os servidores municipais de Cambé prometem paralisar as atividades na próxima terça-feira em protesto pelo atraso no pagamento da segunda parte do reajuste salarial da categoria. A decisão foi tomada em assembleia organizada pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), realizada anteontem à noite. A estratégia da categoria é acirrar o movimento, com paralisações semanais, podendo resultar numa paralisação geral, caso a prefeitura não atenda a reivindicação.
O funcionalismo quer o pagamento do restante do aumento salarial que deveria ter sido efetuado, segundo o Sindserv, no mês de outubro. ''Está na lei aprovada em março que o ganho real seria pago em duas partes, sendo a primeira em abril e os outros 50% em outubro'', afirmou o presidente do sindicato, Carlos Aparecido da Silva de Melo. De acordo com Melo, o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), aprovado no começo do ano, prevê ganhos reais específicos para cada função, que deveriam ser pagos em duas vezes, conforme a arrecadação financeira do município.
''A prefeitura alega que não teve condições de pagar essa segunda parcela por causa da queda na arrecadação, mas nós fizemos uma planilha onde até com perdas de R$ 6 milhões daria para pagar'', criticou Melo. Ele disse que a prefeitura registrou perdas inferiores a R$ 2 milhões, ''portanto, daria para pagar''.
O Sindserv informou que a briga pode parar na Justiça. ''O nosso departamento jurídico está preparando ação para cobrar o pagamento na Justiça, alegando descumprimento da lei.'' Melo afirmou que o Executivo foi informado oficialmente ontem à tarde sobre o início da paralisação na próxima terça-feira. Embora a presença de servidores na reunião que decidiu pelo protesto tenha ficado em torno de 20%, o sindicalista considerou natural a mobilização. ''Quem esteve na assembleia, esteve para decidir e agora, até terça-feira, vamos conversar com a categoria e fortalecer o movimento.''
Ainda de acordo com o Sindserv, secretários municipais teriam visitado locais de trabalho da categoria antes das eleições para confirmar que a segunda parcela estaria garantida. ''Tem muita gente revoltada. Como podia dar o aumento antes e agora, poucos dias depois, não pode mais?'', questionou o presidente do sindicato, sem revelar os nomes dos secretários.
A Prefeitura de Cambé informou, através de assessoria de comunicação, que vai cumprir a lei, mas ninguém concedeu entrevista. Na semana passada, quando os servidores já manifestavam o descontentamento, o prefeito reeleito, João Pavinato (PSDB), disse à FOLHA que ''a lei condiciona o pagamento ao aumento na arrecadação, o que não aconteceu''. Pavinato alega que Cambé perdeu repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), devido à prorrogação nos descontos do Imposto Sobre Industrializados (IPI), autorizada pela União. Parte da arrecadação com o imposto é revertida para as prefeituras por meio do FPM.


