Servidores da Prefeitura de Bandeirantes são presos por desvio de R$ 900 mil
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Vitor Struck Reportagem Local 
Após denúncia anônima e meses de investigação o Núcleo de Santo Antônio da Platina do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) cumpriu nesta terça-feira (27) quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão em residências de servidores e na prefeitura de Bandeirantes. Com o apoio das promotorias de Justiça de Cornélio Procópio e Bandeirantes os agentes também apreenderam documentos e computadores na sede do Executivo.
Segundo o promotor Francisco Ilídio Hernandes, a partir da denúncia e da quebra do sigilo bancário da prefeitura, foi possível confirmar que não constavam registros oficiais de diversos pagamentos realizados entre janeiro de 2017 e abril deste ano. De acordo com o promotor, as investigações constataram que os quatro servidores foram responsáveis por desviar quase R$ 900 mil do caixa do município neste período.
"Eles utilizavam dos cargos e do acesso que tinham aos sistemas para desviar não só os valores dos salários deles que estavam descritos nas folhas de pagamento, mas, também, outros valores que não constavam no Portal da Transparência nem nos comprovantes de pagamento deles", afirma.
Segundo o promotor os quatro servidores seriam ouvidos ainda nesta terça-feira e na quarta (28) deve ter início a análise do material apreendido. Se confirmadas as denúncias a operação, batizada de Alecto, deve por fim a anos de carreira no serviço público, uma vez que os quatro trabalhavam há mais de uma década na prefeitura de Bandeirantes.
"Também pedimos uma quebra de sigilio bancário, fiscal e financeiro dos investigados para verificar qual o destino destes valores. Porque estes valores foram depositados nas contas deles nós já sabemos. Agora para onde foram movimentados é a segunda parte da nosssa investigação", explica o promotor.
Conforme apurou a reportagem, a promotora Kele Bahena, do Gepatria de Santo Antônio da Platina, que também comandou a Operação Alecto, já havia expedido uma recomendação administrativa para que os servidores recebessem cursos de capacitação do Tribunal de Contas do Estado.
Durante toda a tarde desta terça-feira a reportagem da FOLHA não conseguiu contato com a p
prefeitura de Bandeirantes. No final da tarde, o prefeito Lino Martins (PDT) afirmou que estava em viagem, retornando de Curitiba, e não respondeu aos recados deixados pela reportagem.
Na Câmara Municipal de Bandeirantes a vereadora Mônica Moskado (PMDB) reafirma que o Legislativo vai fiscalizar. "Já nos manifestamos para falar com a advogada da Câmara para saber que tipo de posicionamento nós como Legislativo vamos providenciar daqui para frente para somar nas investigações, não vamos medir esforços, sem dúvida", garantiu.
Segundo o promotor Francisco Ilídio Hernandes os servidores presentes durante o cumprimento dos mandados colaboraram com o Ministério Público. A operação contou com o apoio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dos Batalhões da Polícia Militar em Jacarezinho e Cornélio Procópio e das Promotorias de Justiça de Cornélio Procópio, Wenceslau Braz, Andirá e Congonhinhas.
A denúncia deve ser formalizada e apresentada à Justiça em cerca de dez dias.


