Servidores da Justiça querem aumentar protesto
Dimitri do Valle
De Curitiba
Os servidores do Judiciário estadual decidiram ontem à tarde que vão trabalhar para engrossar a adesão à greve da categoria. Em assembléia realizada em frente ao Tribunal de Justiça, os funcionários passariam a visitar locais que ainda não suspenderam as atividades em Curitiba. O Juizado de Pequenas Causas seria o primeiro que os manifestantes iriam tentar parar. O movimento entra hoje no terceiro dia de paralisação.
A decisão dos grevistas foi uma resposta aos confrontos registrados no estacionamento do TJ na manhã de segunda-feira. Dois dirigentes do sindicato foram presos e o caminhão de som apreendido pela Polícia Militar. O Sindijus decretou a greve em todo o Estado para pressionar os representantes do governo e da Justiça a pagar a reposição salarial de 53,06%. O índice foi garantido em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) há seis anos.
Se nós recuarmos agora, o prejuízo será de todos nós, disse o diretor do Sindijus, David Machado. O sindicalista culpou o presidente do Tribunal de Justiça, Sydney Zappa, e a PM pelo confronto registrado na segunda-feira. A administração do TJ está intransigente em não querer negociar, afirmou. Ele apelou para que os desembargadores simpáticos ao pagamento da reposição manifestem apoio aos servidores.
Machado reclamou que os funcionários estão sendo ameaçados de punições caso participem da greve. Os dias de ausência nos locais de trabalho seriam descontados da folha de pagamento, assim como o corte de complementações salariais. A coordenadora-geral do Sindijus, Rosely Colussi, estima que 80% da categoria, que é formada por 4,4 mil servidores, cruzaram os braços em todo o Estado. Rosely foi uma das duas pessoas presas na segunda-feira. Ela relatou que foi autuada por agressão no 3º Distrito Policial, mas nega ter batido em alguém.
A assessoria de imprensa do TJ confirmou que o servidor faltoso receberá um contracheque com valor menor. Assim como ocorreu nos movimentos de greve anteriores, o TJ voltará a descontar os dias não trabalhados, destacou o setor de imprensa do tribunal. Sobre o confronto de segunda-feira, a assessoria acusou os grevistas de iniciarem o tumulto. Eles estavam impedindo o acesso ao prédio, os policiais militares tiveram que agir e foram agredidos.





