Luciana Pombo
e Giovani Ferreira
De Curitiba
Os servidores da Justiça paranaense decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem após a reunião geral da categoria, promovida no plenarinho da Assembléia Legislativa. Depois da confirmação da greve, os servidores fizeram um bloqueio no estacionamento do Tribunal de Justiça. Alguns funcionários do Judiciário disseram que foram agredidos e os sindicalistas Rosely do Carmo Colusse, cordenadora do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Paraná (Sindijus), e Valderlei Franco de Paiva foram presos por policiais militares.
‘‘Os militares arrebentaram o caminhão de som, os microfones e agrediram diversos servidores. Temos tudo documentado e queremos denunciar’’, afirmou Mário Montanha, diretor de imprensa do sindicato. As supostas agressões dos militares foram filmadas em fitas de vídeo e serão encaminhadas para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e da Assembléia Legislativa.
Os servidores do Poder Judiciário reivindicam uma reposição salarial de 53,02% por causa das perdas decorrentes desde 1992. A reposição salarial foi garantida por um despacho do juiz João Domingos Kuster Puppi, da 3ª Vara da Fazenda Pública, mas não foi cumprida.
Os diretores acreditam que o movimento grevista será crescente e deve atingir a maioria dos 4,5 mil servidores espalhados pelas comarcas do Estado. Um balanço sobre a greve deve ser divulgado hoje.
A assessoria da Secretaria de Estado da Segurança informou que a Polícia Militar agiu atendendo a uma ordem do presidente do Tribunal de Justiça.
O desembargador Sydney Dittrich Zappa, presidente do Tribunal de Justiça, disse que durante a semana passada foram mantidos contatos com o governo do Estado na tentativa de equacionar o pagamento do percentual de reajuste. Ontem à tarde o TJ ainda esperava uma solução por parte do Poder Executivo sobre o assunto.

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