Os servidores da Justiça Eleitoral transferiram para hoje a decisão sobre uma greve da categoria por tempo indeterminado, que podem atingir as eleições municipais de domingo. O Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário (Sindjus) cancelou a assembléia extraordinária com os servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcada para ontem, às 18 horas. Eles aguardavam obter ainda ontem à noite uma definição dos ministros do tribunal sobre a reivindicação da categoria.
Em nova assembléia marcada para as 14 horas de hoje, os servidores pretendem avaliar a decisão dos ministros. A posição do tribunal diante do pleito dos funcionários era esperada na madrugada de ontem. Mas a reunião administrativa dos ministros convocada pelo presidente do TSE, ministro Néri da Silveira, foi suspensa por volta das 3 horas, e adiada para ontem à noite a decisão sobre o reajuste salarial de 11,98% reivindicado pelos servidores.
Ontem foi um dia calmo no TSE. Depois de paralisar as atividades por 24 horas, na terça-feira, os servidores trabalharam normalmente ontem, na expectiva de que um acordo sairia ainda à noite. A categoria reivindica a reposição de 11,98% nos salários referente a uma diferença da conversão de cruzeiros reais para Unidade Real de Valor (URV), ocorrida em março de 1994. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu que os servidores recebam apenas a diferença relativa ao período compreendido entre março de 1994 e dezembro de 1996, mês em que entrou em vigor o Plano de Cargos e Salários do Judiciário.
Fontes do TSE acenavam para um acordo com o sindicato, visando a extensão da diferença dada pelo STF e a incorporação dos 11,98% nos salários atuais. Para isso, estaria sendo estudado o remanejamento de recursos orçamentários na ordem de R$ 100 milhões para atender a essa negociação.
O custo da reposição do porcentual e o pagamento dos atrasados no período integral de 1994 até hoje foi estimado em cerca de R$ 140 milhões. O valor da folha do TSE hoje é de R$ 3,32 milhões, destinados ao pagamento de 520 servidores ativos, 120 inativos e mais 98 pensionistas, de acordo com o diretor-geral do tribunal, Ney Natal.

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