A presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), Sílvia Motta, expressou ontem a indignação dos servidores municipais diante da aprovação em primeira discussão, na segunda-feira, do projeto que altera a lei orgânica do município, referente à remuneração fixa e variável dos vereadores. O projeto foi aprovado por 8 votos a 3, valendo-se da aprovação da Emenda Constitucional 19 no Congresso, prevendo remuneração para as sessões extraordinárias da Câmara.
‘‘Não podemos ficar quietos quando os vereadores estudam uma forma de aumentar seus vencimentos. Quando ficamos quase dois anos com os salários atrasados em quatro meses, eles não se empenharam com este entusiasmo para solucionar o problema’’, reclamou. Ela, juntamente com um grupo de diretores do Sindicato, esteve presente à sessão e presenciou a briga, que teria sido provocada pelo secretário do vereador Arno Giesen (PSB), Rodolfo Schurmann, e o vereador José Rubens Massussi (PDT), favorável ao projeto.
De acordo com Sílvia, o projeto pode não ser colocado em prática imediatamente, caso seja aprovado em segunda discussão na sessão do dia 10, mas abre um precedente grave: o excesso de criação de sessões extraordinárias pagas. ‘‘Este dispositivo pode ser legal, mas é imoral diante da situação de Rolândia. Nos sentimos envergonhados. Para discutir os salários dos servidores, alegaram a crise brasileira. Para este projeto não há crise’’, salientou.
Com relação à briga envolvendo José Massussi, Arno Giesen e Rodolfo Schurmann, Sílvia disse que tudo começou com as agressões verbais do vereador do PDT contra Giesen. Ela informou que, quando os diretores do Sindicato estavam saindo da Câmara após a votação, Giesen foi junto a eles. ‘‘Massussi foi atrás dizendo que ele era imoral e que ao votar contra o projeto tentava se aproveitar politicamente da situação’’, comentou.
Giesen confirmou a versão da sindicalista. ‘‘Quando meu secretário me viu sendo ofendido, bateu no vereador. Aí foi um reboliço só’’, comentou. O presidente da Câmara, Vamberto Figueiredo (PMDB), anunciou que será proposta na segunda-feira a abertura de uma comissão especial de inquérito para verificar a falta de decoro parlamentar. A Folha procurou José Massussi ontem à tarde na Câmara de Vereadores e na casa dele, mas não foi encontrado para comentar o assunto.

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