Em assembléia realizada ontem à noite, os servidores municipais de Londrina aprovaram indicativo de greve para 14 de março caso o prefeito Nedson Micheleti (PT) se recuse a negociar a reposição salarial solicitada (21%). Eles reclamaram ainda do cancelamento do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), aprovado no ano passado mas revogado pela administração petista sob o argumento de que a prefeitura não teria caixa para bancar a promoção dos 2.170 servidores aptos a receberem o benefício.
Cerca de mil servidores municipais estiveram presentes à assembléia, convocada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv). Eles aprovaram ainda a criação de um movimento organizado para esclarecimento à população e o estado permanente da assembléia, evitando a obrigatoriedade de convocação 48 horas antes da reunião. O presidente do Sindiserv, Marcelo Urbaneja, propôs um cronograma de ações até o dia 14 de março. Ficou decidido que os servidores paralisarão suas atividades no dia 1º de março para forçar a negociação com o prefeito. Se não forem ouvidos, farão novas paralisações nos dias 7 e 8 de março, culminando com a greve na semana seguinte.
Antes da votação, Urbaneja explicou a trajetória de negociação do sindicato com a prefeitura. O técnico do Dieese, Cid Cordeiro, mostrou números indicando que a administração municipal teria recursos para conceder o aumento. Ele estimou que neste ano o aumento da receita ficará entre 10 e 13%, o que representa entre R$ 42 e 54 milhões. Urbaneja explicou que as paralisações ficaram para março para dar fôlego de negociação aos servidores após o recebimento dos salários.
''Os servidores compareceram em massa. Estamos dispostos a negociar, tanto que nos comprometemos a ir todos os dias ao gabinete para falar com o prefeito'', declarou Urbaneja ao final da assembléia.
O secretário de Gestão Pública, Jacks Dias, afirmou que a prefeitura está disposta a negociar. ''Entendo que o indicativo de greve mostra que eles querem negociação e nós estamos abertos a negociar'', disse. Entretanto, ele reforçou que, no momento, não há possibilidade de discutir reajuste salarial, ficando na pauta da discussão os outros itens propostos sobre qualidade e condição de trabalho.

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