Em seis anos de mandato desde a primeira eleição, em 2000, o prefeito Nedson Micheleti (PT) volta a enfrentar esta semana a ameaça de greve de servidores, a terceira de sua administração. Em assembléia anteontem à noite, os servidores municipais aprovaram o indicativo para paralisar as atividades a partir do mês que vem, caso a Prefeitura não negocie as perdas salariais de 27%. Ano passado, foram duas paralisações só no primeiro semestre: na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e, durante 31 dias, no restante do funcionalismo público.
Pelos cálculos do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, cerca de 800 funcionários participaram da assembléia geral que aprovou, por maioria de votos, o indicativo de greve para agosto. Diferentemente de outras reuniões do gênero, dessa vez a proposta levada a discussão foi respaldada pelos resultados de uma consulta feita com cédulas a servidores de todos os setores da administração. Pela iniciativa, a grande maioria dos mais de 4,2 mil pesquisados optou pela adesão à greve geral. Nesses, apenas o pessoal da Educação preferiu adotar a chamada ''operação tartaruga'', com carga horária de aulas diferenciada.
Segundo o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, o clima de insatisfação ante a ausência de reposição salarial tomou conta dos servidores - sobretudo, diz, dos cerca de 5,5 mil sindicalizados (em um universo de 7 mil).
''É engraçado a administração dizer que passou do limite de gastos com pessoal permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (que é de 54%, mas em Londrina, hoje em 57,22% da receita corrente líquida). Pela prestação de contas de 2005, fechara com 46% - como deixaram aumentar?'', questiona Urbaneja, para completar: ''Estão dando abono à Assistência Social, vão conceder abono de R$ 800 ao pessoal que cuida das licitações, aumetaram os serviços terceirizados e os cargos em comissão. Isso está sendo encarado como um desrespeito, uma argumentação no mínimo falha''. Segundo o sindicalista, nos seis primeiros meses de 2006 foram feitas manifestações junto à sociedade e tentativas de reunião com a Prefeitura para discutir a negociação salarial, sem sucesso.
A Prefeitura seria notificada ontem da decisão em assembléia. Na semana que vem, o sindicato se senta com representantes do Ministério Público (MP) em Londrina para marcar uma reunião com a administração e negociar os termos da paralisação. No dia 8 de agosto, uma nova assembléia vai analisar eventuais propostas salariais, se surgirem nesse período, para então ser ou não marcada uma data para início da greve.

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