Servidores ameaçam greve geral
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Erika Wandembruck<BR>De Curitiba 
Servidores públicos estaduais e federais de todo o Estado, pertencentes a 19 entidades de classe fizeram greve geral de advertência ontem. O movimento foi marcado por uma passeata que reuniu todas as categorias em frente ao Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense. Os manifestantes, que lutam por reajuste salarial, queriam ser recebidos pelo governador Jaime Lerner (PFL). Não foram, se reuniram com secretários de Estado e podem deflagrar greve a partir de 17 de setembro.
A manifestação começou cedo. Por volta das 8 horas, ''A Marcha em Defesa da Educação Pública'', que contou com 60 caravanas de professores e servidores estaduais do interior do Estado reuniu mais de 7 mil pessoas, segundo a Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato). As categorias se concentraram para a passeta dos mais diversos pontos da capital. Com isso, o trânsito ficou caótico na região central de Curitiba.
Por volta das 11 horas, as caravanas se encontraram na praça Tiradentes. Depois partiram em passeata até o Palácio Iguaçu. A APP-Sindicato estimou que, ao todo, eram mais de 15 mil manifestantes. Para a Polícia Militar, o número não passou de 5 mil.
A manifestação teve momentos de tensão, em frente ao Palácio Iguaçu, por volta do meio-dia. Quando souberam que os sindicalistas não seriam recebidos pelo governador, mas por representantes do governo, manifestantes ameaçaram derrubar as grades de ferro da cerca que dá acesso ao Executivo. Foi quando, 200 policiais militares, além dos 300 que já faziam a guarda do Palácio Iguaçu, reforçaram a segurança. Com medo, os manifestantes recuaram.
A manifestação conjunta, organizada pelos sindicatos que representam o funcionalismo e pela Central Única de Trabalhadores (CUT) tem como objetivo unificar as campanhas salariais do setor público e da iniciativa privada. O funcionalismo estadual quer reposição de 50% e aprovação do projeto de plano de carreira, cargos e salários pela Assembléia Legislativa. Eles defendem ainda o concurso público, plano de saúde e plano de cargos e salários. Os servidores federais reivindicam aumento de 75,48%.
Espionagem O policial militar Marcelo de Andrade estava à paisana infiltrado entre os manifestantes filmando a passeata com uma câmera que tinha o logotipo da Polícia Militar (PM). Ele foi surpreendido pelo presidente da APP-Sindicato, Romeu Miranda, e integrantes do Movimento Sem-Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu. Andrade tentou resistir, mas foi obrigado a entregar a fita para Miranda. ''Sou policial, mas estou de folga hoje. Estava filmando a passeata porque minha mulher é funcionária pública e estava entre os manifestantes'', justificou. No entanto, para Miranda, o policial estava a trabalho filmando os líderes do movimento com o intuito de repassar a fita ao governo.
A reunião dos sindicalistas com o governo do Estado, ontem no final da manhã, terminou em bate-boca. Sem a apresentação de propostas de reajuste salarial, os representantes de 19 entidades, que participavam da manifestação dos servidores públicos, se retiraram irritados do Palácio Iguaçu cerca de 20 minutos depois do início da discussão. Para o presidente da APP-Sindicato, Romeu Miranda, a greve geral prevista para setembro tornou-se inevitável.
Os manifestantes foram recebidos pelos secretários do Planejamento, Miguel Salomão; da Administração, Ricardo Smijtink; e pelo chefe de gabinete da Casa Civil, José Carlos Campos Hidalgo. Os sindicalistas reclamaram do fato de o governador Jaime Lerner (PFL) não estar presente na reunião. ''O governador serve de cicerone ao ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e ao ator Anthony Hopkins (que estiveram em Foz do Iguaçu na última quarta-feira), mas não tem a nobreza de receber os representantes dos trabalhadores'', afirmou Miranda. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio, Lerner não pôde comparecer pois estava reunido com o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, tratando do edital para a privatização da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
De acordo com o secretário Miguel Salomão, o governo não pode dar reajuste ao funcionalismo por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Para aumentarmos os salários, teríamos que demitir, senão estaríamos desrespeitando a lei.'' Ele disse que o governo espera conseguir recursos para reajustar algumas categorias de funcionários com a capitalização da Paraná Previdência e a privatização da Copel.
Os sindicalistas se irritaram com as declarações e começaram a discutir. ''Isso não é uma resposta. É uma desconsideração. A única solução é a greve'', afirmou Miranda. Assembléias devem definir a adesão de várias categorias de servidores estaduais. O indicativo de greve foi votado para o dia 17 de setembro.


