Os servidores municipais de Ponta Grossa prometem fazer manifestações e paralisar suas atividades a partir de terça-feira, se a administração municipal continuar se negando a atender à reivindicação da categoria. Eles pedem um abono salarial de R$ 50 líquidos, incorporado ao salário. A prefeitura alega que só pode oferecer R$ 35, caso contrário estará comprometendo o equilíbrio financeiro da prefeitura.
A decisão dos servidores de não aceitar o valor de R$ 35 foi tomada anteontem à noite, em uma assembléia. Os secretários de Administração, Claudimar Barbosa, e de Finanças, Roberto Barbosa, participaram da assembléia para apresentar os motivos que, segundo eles, impedem a concessão do abono de R$ 50.
As explicações, no entanto, além de não convencerem, irritaram os servidores. ‘‘Não viemos aqui para ouvir essa enrolação’’, gritavam da platéia os mais exaltados, quando o secretário de Finanças começou a mostrar números da dívida deixada pela administração anterior. Quando ele tentou argumentar que municípios como Londrina e Maringá não darão nenhum aumento, a platéia o lembrou que ele estava em Ponta Grossa. Um servidor afirmou que ‘‘na época da campanha (o prefeito) Péricles (de Holleben Mello – PT) subiu no palanque para dizer que o que ganhamos não é salário. Agora ele não aparece, manda seus secretários.’’
Um dos argumentos usados pelo secretário de Finanças é que a dívida do município relativa a encargos sociais e benefícios chega a R$ 14,5 milhões – dinheiro suficiente para construir 3.625 casas populares ou para a compra de 557.692 cestas básicas que poderiam atender todas as famílias carentes de Ponta Grossa por 19 meses. Um folheto com essas informações foi distribuído aos cerca de 200 servidores que participaram da assembléia.
O prefeito em exercício, Ricardo Mussi, convocou para a tarde de ontem uma reunião com o secretariado. ‘‘Acredito que não será possível chegar ao valor que eles querem. Mas podemos oferecer um pouco mais e teremos que contar com um pouco de flexibilidade também dos servidores’’, disse. Segundo ele, a administração está disposta a negociar e evitar uma greve.

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