Servidores acusam prefeito de fazer pressão
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de março de 2001
De Londrina 
O Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina) está acusando o prefeito João Piovesan Filho (PMDB) de pressionar a categoria para pedir demissão. O argumento do sindicato é um projeto de lei que deve ser apreciado na sessão de amanhã, na Câmara dos Vereadores, implantando o Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
Desde que assumiu a prefeitura, ele (Piovesan) tem prejudicado o servidor, cortando hora extra, adicional de insalubridade e atrasando salários. Agora veio o PDV e os servidores estão se sentindo pressionados. Eles têm medo de, se não pedir demissão agora, serem demitidos depois, sem nenhum direito, afirmou o diretor-presidente do sindicato, Luiz Fernando Camba Filho, que pretende reunir a categoria amanhã à noite para pressionar o Legislativo a não aprovar o projeto de lei.
Luiz Camba disse estranhar que a prefeitura pense em demitir funcionários ao mesmo tempo em que estaria aumentando o número de cargos de confiança na prefeitura. Além disso, argumentou que no ano passado a administração gastou apenas 48% da arrecadação com a folha de pagamento, menos que os 54% previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) além dos 6% do Legislativo. Não há motivo para demissões.
O prefeito de Alvorada do Sul, João Piovesan, negou à Folha que a administração esteja pressionando os servidores. Esse plano (PDV) foi feito porque a prefeitura está com encharcamento de funcionários. Mas não quero mandar ninguém embora. Só não posso deixar de cumprir a lei, disse, defendendo que o município está gastando mais com funcionários do que a LRF permite. Ontem o assunto seria debatido durante uma reunião do prefeito com os servidores.
O chefe de gabinete da prefeitura, Rodolfo Valentim Zampoli, explicou que o comprometimento de 48% da arrecadação com a folha de pagamento, durante o ano passado, estava poluído porque considerava uma verba de R$ 1 milhão levantada com a extinção de um fundo municipal de previdência social. Em dezembro, ele alegou, o comprometimento já era de 61,58% mais do que permite a LRF. A prefeitura está levantando números atualizados sobre o impacto da folha na arrecadação.
Zampoli disse também que a administração está com duas folhas em atraso, de novembro e dezembro, da outra administração. Ele admitiu que o novo governo tem tomado medidas impopulares para se enquadrar à LRF, como corte de horas extras e insalubridade indevida. São medidas duras. Mas com elas vamos conseguir ou evitar demissões ou reduzi-las para o mínimo necessário. O chefe de gabinete também defendeu o PDV, lembrando que o servidor interessado terá direito a receber, além da indenização normal, 1,25 salário a mais para cada ano trabalhado. Mas não há pressão.


