Cerca de 30 servidores da Prefeitura abordaram ontem pela manhã o prefeito Nedson Micheleti (PT) em frente ao Hotel Sumatra, no Centro de Londrina. Eles pediram que o prefeito abrisse um canal de negociação com eles, em greve há 79 dias por reposição salarial. O prefeito participava de um evento no hotel e atendeu os grevistas em uma conversa rápida, ainda na calçada, acompanhado do deputado estadual André Vargas (PT).
Segundo o professor da rede municipal Wilson Oriques Macedo Júnior, o prefeito se comprometeu a conversar com os servidores, desde que eles acabem com o movimento. ''Não dá para acreditar que ele vá negociar. No ano passado foi a mesma coisa. Encerramos a greve de 31 dias e não houve nenhum acordo pela reposição das perdas'', afirmou, referindo-se a uma lista de quatro itens, assinada por Nedson, Sindserv e Câmara. Entre outros compromissos firmados, o documento se comprometia a negociar os dias parados - descontados depois, mas revertidos por decisão judicial - e a criar uma comissão que estudasse um índice de reposição. Um ano e meio depois, a Prefeitura ainda não indicou os nomes para o grupo.
Os manifestantes carregavam faixas exigindo a negociação e distribuíram panfletos para os motoristas e pedestres que passavam pelo local. Não houve tumulto. O mesmo procedimento - mas frustrado pelo não encontro com o prefeito - fora adotado na manhã anterior, quando um grupo de grevistas tentou abordar Nedson na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). Na ocasião, eles foram recebidos por funcionários do alto escalão que negaram a presença dele naquele local.
Em entrevista, o prefeito se comprometeu a formalizar em decreto municipal a comissão de acompanhamento das finanças do Executivo, a fim de estudar a possibilidade de reposição à categoria. ''Mas só quando voltarem ao trabalho'', declarou, taxativo. Na mesma oportunidade, o petista ainda comentou estranheza no fato de a categoria se reunir em assembléia, à tarde, justamente nos dias em que a Câmara de Vereadores votaria a desaprovação das contas de seu adversário político, Antonio Belinati (PP). Contudo, à tarde, os grevistas permaneceram reunidos em frente à prefeitura durante a discussão do assunto no Plenário.

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