Curitiba - As quatro funcionárias do sistema público de saúde que fazem greve de fome para protestar contra a jornada de trabalho de 40 horas semanais no setor permaneceram durante todo o dia de ontem na ante-sala do gabinete do secretário estadual da Saúde, Cláudio Xavier. Apesar disso, não foram recebidas pelo secretário. Por meio de nota, a secretaria deu sinais claros de que não vai ceder aos pedidos das servidoras e afirmou que continuará aplicando descontos nos salários dos funcionários que não cumprirem as 40 horas.
Elaine Rodella, Lismari Buffa de Barros, Marlene Pereira Ozório e Beatriz Lucindo começaram a greve de fome na última terça-feira. Elas afirmam que cerca de 500 servidores tiveram seus vencimentos descontados no mês passado por não terem trabalhado as 40 horas determinadas pelo governo estadual. Elas alegam que muitos dos profissionais do setor têm o direiro de cumprir jornadas de 20 ou 30 horas semanais, de acordo com leis federais.
Às 8 horas da manhã de ontem, elas chegaram à ante-sala do gabinete de Cláudio Xavier. A intenção das manifestantes era conseguir uma audiência com o secretário. ''Queremos sensibilizar o governo para que abra negociações conosco'', explicou Eliane, que é diretora do Sindisaúde, sindicato que representa os servidores. A estratégia, no entanto, não comoveu Xavier, que não recebeu as grevistas. Apesar disso, elas foram autorizadas a passar a noite no prédio da secretaria.
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, a secretaria se mostrou intransigente em relação ao pedido das manifestantes. ''A carga horária de 40 horas semanais (estabelecida por decreto e por lei estadual) deverá ser seguida em todas as unidades de saúde do Estado'', diz a nota. ''Está sendo reafirmado também que aqueles que não cumprirem a carga horária terão as horas não trabalhadas descontadas do salário, conforme circular da Secretaria da Saúde em vigor desde 29 de março'', prossegue o texto.
Segundo a secretaria, os descontos obedecem a critérios estabelecidos com base em um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A nota confirma ainda que, em maio, ''há o registro de 545 casos de não cumprimento da carga horária de 40 horas semanais ou de faltas injustificadas, entre os servidores da saúde'', o que representa 8% dos cerca de 6,8 mil servidores da área de saúde no Poder Executivo estadual.

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