Servidora tinha ''duas mães''
Servidora tinha duas mães
Na análise preliminar, a Administração detectou várias irregularidades funcionais. Sessenta mortos constavam na lista de servidores pagos pelo governo. Maria Elisa disse que levou um susto com o cruzamento das informações com o cadastro de óbitos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Tinha morto no meio, revelou. A secretária não garante que todos os mortos já caíram na malha-fina, mas acredita que ao final do batimento um quadro geral estará revelado.
Outros 10 mil homônimos (servidores com o mesmo nome) foram detectados no recadastramento. Pedimos informações mais detalhadas aos órgãos de origem, para saber o que está acontecendo. Nos casos, onde houver suspeita de irregularidades, a secretária promete a instauração de sindicância para apurar as responsabilidades. O dinheiro terá de ser devolvido. Montaremos juntas para analisar os processos. Mais tarde, encaminharemos todos os processos para a Procuradoria-Geral do Estado, anunciou.
A secretária revelou também outros dois casos inusitados. Um deles, de uma pensionista com duas mães. Também há casos de diversos pais, assinalou. Mas a cena mais tragicômica foi quando uma pessoa que recebia pela mãe servidora foi chamada por nós porque a mãe havia morrido. Ela perguntou: É? Ela morreu? Quando? Em 1996, respondemos nós, relembrou. Em todos esses casos vamos tomar medidas, assegurou.
O último recenseamento feito pelo governo foi em 1978 há 21 anos. De lá para cá os dados não foram atualizados. A idéia do recadastramento é também levantar a existência e o número de funcionários fantasmas.
Dos 173.483 servidores ouvidos nessa primeira etapa, entre 15 mil e 18 mil estão concentrados em áreas prioritárias tais como Segurança, Saúde e Educação. Esses números não são definitivos e podem sofrer alterações com o desenrolar das análises, ressalvou.
Maria Elisa, defensora de um Plano de Demissão Voluntária para o Paraná, disse que o momento é de o governo livrar-se de ações que não devem mais ser encaradas como de responsabilidade do Estado. Ela citou o caso dos postos de gasolina mantidos durante anos sob a supervisão do governo. Não tem mais necessidade disso, observou.(L.D.)





