A servidora Aparecida Maria da Conceição, lotada em uma creche da Capital, reclama que os colegas não a deixam ‘‘trabalhar em paz’’. Ela conta que, desde que sofreu um acidente de trabalho, em outubro do ano passado, está sendo vítima de provocações e se sente humilhada.
Ela estava na lavanderia da creche, quando foi guardar roupas no armário e uma tábua caiu em sua cabeça. Desde então, conta que tem fortes dores de cabeça quase diárias, que comprometem seu trabalho. ‘‘Agora estão me chamando de louca. Sei que não sou. Mereço respeito e não aguento mais essas provocações’’. Aparecida reclamou com a chefia. ‘‘Disseram que preciso ter paciência’’.
Ela disse que tem solicitado licença médica, mas os médicos lhe dizem que dor de cabeça não é motivo para faltar ao serviço. ‘‘Desde que me machuquei não pude fazer nenhum exame na cabeça. É muito caro’’, lamentou.
Aparecida disse que gostaria de se afastar do trabalho, mas não pode. Tem nove filhos e ganha R$ 285,00 por mês. ‘‘Não tenho como sustentar minha família se sair do emprego.’’
Ela está há 18 anos na Prefeitura, contratada como cantineira. Há cerca de seis meses, foi transferida para a limpeza. Desde que sofreu o acidente, disse que tem feito serviços diferentes, até atendendo telefone. ‘‘Ficam me jogando para lá e para cá. Acham que eu não trabalho porque não quero.’’ (M.D.)

mockup