Curitiba - Uma servidora municipal de Curitiba teria desviado R$ 2,1 milhões do Fundo Municipal de Saúde, recurso originário do Sistema Único de Saúde (SUS), para suas contas pessoais. Segundo a Procuradoria-Geral do município, a servidora da Secretaria de Saúde, que seria responsável pelo Núcleo de Finanças da pasta, usava ainda a conta de seu marido, também funcionário municipal concursado da Secretaria de Obras, e de terceiros para receber o pagamento, que deveria ser usado para débitos com fornecedores do órgão. O marido da servidora também é acusado. Para a procuradoria, ele se beneficiaria do esquema como sua esposa. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
  De acordo com a Prefeitura de Curitiba, o esquema foi descoberto no dia 23 de janeiro deste ano, quando uma auditoria detectou que os depósitos bancários feitos para os fornecedores teriam contas diferentes das que eram utilizadas de costume. No dia 28 do mesmo mês, a auditoria conseguiu provar que o esquema acontecia e repassou o caso à PGM.
  Segundo o procurador-geral do município, Ivan Bonilha, após tomar conhecimendo do caso, a PGM emitiu uma série de documentos ao Banco do Brasil (BB). A instituição financeira está auxiliando a investigação. Os depósitos foram feitos nas contas correntes que os funcionários possuem no BB.
  ‘‘Mandamos ofícios para o banco e já notificamos o Ministério Público Federal (MPF). Há, inclusive, declarações sobre os depósitos da gerência do banco. Todos os depósitos foram feitos em contas do Banco do Brasil’’, explicou Bonilha. O MPF é o responsável pela investigação porque a verba desviada era de recurso federal.
  A PGM descobriu que foram realizados 101 depósitos, desde fevereiro de 2004. A funcionária faria quase dois depósitos por mês desde que o desvio começou. Os valores das operações bancárias variavam. Uma delas chegou no valor de R$ 11 mil, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba. O último depósito foi registrado, conforme Bonilha, em outubro do ano passado. Ela faria as transações sempre em quantias pequenas.
  A prefeitura informou que a funcionária trabalha há oito anos no setor e desde maio do ano passado ela foi nomeada para o cargo de chefia.
  Um processo administrativo foi aberto para investigar o comportamento dos dois funcionários. A investigação criminal ficou a cargo do MPF. ‘‘A nós cabe agora processarmos esses funcionários e promover uma ação de ressarcimento’’, comentou o procurador.
  Bonilha informou que a preocupação da prefeitura foi de mostrar que o desvio aconteceu, com uma posição de transparência, e que os responsáveis não ficarão impunes.
  Curitiba tem gestão plena da verba do SUS. Todo dinheiro para saúde, repassada para o município, tem total responsabilidade do órgão local. A reportagem da FOLHA entrou em contato com o MPF, mas em razão de problemas técnicos do próprio órgão, a assessoria de imprensa do Ministério não conseguiu confirmar se a denúncia foi protocolada. A defesa do casal não foi encontrada pela reportagem.

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