Servidora agiu por conta própria, afirma ex-líder
Em sua nova versão, o ex-líder do governo José Roberto Arruda sustentou que o que se seguiu depois de Regina ter sido chamada à sua casa é resultado de uma ação voluntária da então diretora do Prodasen, que teria entendido errado o que era uma simples consulta. Na tentativa de comprovar que a decisão de violar o painel foi exclusiva dela, ele sustentou que Regina prometera retornar-lhe e, já depois da votação, telefonou para perguntar como devia fazer para entregar uma coisa importante para Antonio Carlos.
Apesar dos esforços, Arruda não conseguiu comprovar ter feito apenas uma consulta quanto a segurança do painel. Na opinião dos senadores, uma simples consulta, mesmo que em nome de ACM, não poderia ter resultado em ato tão grave quanto a violação, acompanhado por momentos de tensão de todos os envolvidos. A sua versão dos fatos transforma a Dona Regina em uma pessoa cujo desequilíbrio e desinteligência beira a demência, disse Saturnino Braga.
O ex-líder do governo também lembrou o momento da entrega da lista para ACM: disse que o senador ficou curioso, mas não demonstrou irritação. E confirmou que o parlamentar baiano telefonou para a ex-funcionária dando-lhe parabéns pelo serviço e tentando tranquilizá-la. Fiquei aliviado quando ele leu e a parabenizou. Arruda garantiu que não guardou cópia do documento e que não tem certeza de ter-se tratado da verdadeira lista com os votos.
Arruda garantiu não ter mostrado o documento ou comentado o assunto com o presidente FHC e esclareceu a que fatos se referia quando disse que foi leal ao governo em momentos mais graves do que o que assola o Congresso e ainda criticou o PSDB. Quando tinha o caso Marka e FonteCindam, que eu achei gravíssimo, ouvi as explicações, me convenci e defendi o governo, enumerou.
Como um jato de gelo, ontem FHC proibiu ministros e assessores do Planalto de dar declarações sobre a crise política no Senado. Irritado com declarações atribuídas a ele na mídia por ministros e parlamentares sobre a crise e, principalmente, sofrendo a pressão dos partidos aliados pelo teor destas declarações, FHC mandou avisar que ninguém está autorizado a falar em seu nome. Estão tentando colocar a crise aqui dentro, resumiu um assessor do Planalto, afirmando que Fernando Henrique começou a se incomodar com o excesso de declarações atribuídas a ele na mídia há 10 dias.
Por intermédio do porta-voz Georges LamaziSre, FHC só respondeu ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que insinuou que o presidente teria conhecimento da lista porque Arruda era seu líder. O presidente lamenta a leviandades reiteradas do governador de Minas Gerais que deslustram a sua biografia, disse LamaziSre. (A.E.)





