Servidor que repassou cheques para ex-secretário retorna à prefeitura
Um dos principais acusados de participar do desvio de R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Maringá, Waldemir Ronaldo Corrêa, voltou a trabalhar como auxiliar administrativa da prefeitura. Ele é servidor concursado, admitido em 1991 e tinha se licenciado do cargo há cerca de três anos para trabalhar com o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado de comandar os desvios na prefeitura. A licença dele foi interrompida como permite o estatuto do servidor e ele reassumiu o cargo, explicou ontem à Folha o gerente de recrutamento do setor de Recursos Humanos da prefeitura, Raul Pereira da Silva.
Segundo Silva, a volta de Corrêa obedeceu à orientação da procuradoria jurídica e do Tribunal de Contas (TC). O TC está realizando uma auditoria nas contas da prefeitura referentes aos últimos 14 anos. Ele está em outro setor e não vai exercer influência sobre as auditorias, diz. Silva lembra ainda que um funcionário deve ser mantido fora do cargo, durante investigações, quando pode influenciar os companheiros que vão testemunhar ou mesmo o trabalho de auditoria. O que não acontece no caso, alega.
O gerente não quis revelar o setor onde Corrêa está trabalhando, mas fonte de dentro da prefeitura diz que ele foi para o Departamento de Vigilância Patrimonial. Mas exercendo o cargo anterior de auxiliar administrativo, reforça Silva. Os outros dois servidores, Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa, também acusados de envolvimento no desvio de dinheiro público, segundo o gerente, estão em férias. Mas também devem reassumir os cargos em breve. Sossai sucedeu Paolicchi na secretaria da Fazenda, mas foi afastado quando as denúncias estouraram, no início do mês passado.
O gerente de recrutamento argumenta ainda que as auditorias realizadas por uma empresa a pedido da administração e pelo TC serão demoradas, e a prefeitura não pode ficar ser os servidores por muito tempo. Corrêa era o principal elo do desvio comandado por Paolicchi dentro da prefeitura, pelo menos nos últimos anos. O MP encontrou na conta do servidor 116 cheques da prefeitura, depositados entre dezembro de 1998 e março do ano passado. O valor, de R$ 2,6 milhões, foi repassado para uma conta particular de Paolicchi.
Junto com Paolicchi, Sossai e Rosimeire, Corrêa responde a ação criminal na Justiça Federal por sonegação fiscal, peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O único bem que o MP encontrou no nome dele, um veículo Palio, está indisponibilizado. No dia 30 de outubro, junto com os outros servidores, Corrêa negou conhecer o esquema de desvios de dinheiro da prefeitura. Ele alegou ao juiz Anderson Furlan Freire da Silva, da Vara Criminal Federal, que era funcionário de Paolicchi e apenas obedecia ordens.(M.Z.)





