Servidor público garante que não conhece ''laranja''
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O servidor municipal João Edson Danzinger, conhecido como João Boquinha, prestou depoimento ontem à tarde ao delegado da Polícia Federal, Sandro Roberto dos Santos, no inquérito que investiga a existência de 30 contas fantasmas em agências do Banestado em Londrina. De acordo com seu advogado, João Gomes, ele garantiu que não conhece José dos Santos, de Florestópolis, em cujo nome foi aberta uma conta. Segundo depoimento do contador Ilvino Fazoli, Danzinger teria encomendado a elaboração dos contratos sociais das 30 empresas titulares das contas.
Danzinger prestou depoimento acompanhado do advogado João dos Santos Gomes Filho, procurador jurídico da Câmara. Segundo o advogado, o servidor confirmou que conheceu o contador. Mas deu uma outra versão sobre os contratos sociais. Em 97 ele (Danzinger) indicou o contador para uma pessoa de fora de Londrina, que ele conhecia. Essa pessoa não disse qual era a finalidade do serviço, disse Gomes acrescentando que não poderia dar maiores detalhes porque o caso está sob segredo de Justiça.
O nome do servidor também foi citado no depoimento do bóia-fria José dos Santos, que teve fotos 3/4 usadas indevidamente na abertura da empresa Freitas & Dutra cuja conta fantasma do Banestado serviu para lavar dinheiro desviado da prefeitura em licitações fraudulentas. Ele (Danzinger) disse que não conhece o bóia-fria, afirmou o advogado.
Além das empresas fantasmas, o servidor ainda estaria envolvido no envio irregular de recursos para o exterior por meio de contas CC-5 investigado pela PF em outro inquérito. Duas empresas no nome de Danzinger enviaram para fora mais de R$ 6,5 milhões. João Gomes disse que o assunto não foi tratado no depoimento de ontem.
O dinheiro desviado da prefeitura passou pela conta da empresa Realty Participações, de São Bernardo do Campo (SP). A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Melo na chamada Operação Uruguai. O restante pertenceria a Márcio Luchesi, que pode ter a prisão solicitada pela PF.


