O funcionário público Roberto Rocha disse ontem que vai encaminhar os documentos que o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PTB), requisitou sobre o caso Detroit. Um dos papéis é um ‘‘contrato de gaveta’’ que teria sido usado ilegalmente para obter dinheiro público. Rocha denunciou ao Ministério Público um empréstimo de US$ 10 milhões do governo do Estado para a empresa Detroit Motores, fornecedora da montadora Chrysler.
Rocha disse que vai encaminhar a Brandão ‘‘o contrato de gaveta’’ feito entre a Detroit e a Paese Participações Societárias Ltda na negociação de um terreno de 30 mil metros quadrados localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A Paese adquiriu o imóvel por apenas R$ 18 mil, mas o revendeu à Detroit por cerca de R$ 3 milhões. O terreno foi oferecido pela Detroit como garantia para obter o empréstimo de US$ 10 milhões junto ao governo.
De acordo com a denúncia, a Detroit só teria sido declarada oficialmente a titular do imóvel em fevereiro de 1998, ou seja, um ano depois de ter conseguido o financiamento. Rocha disse que o ‘‘contrato de gaveta’’, de 6 de fevereiro de 1997, foi celebrado quando a Paese vendeu o imóvel para a Detroit. Vinte e dois dias depois, a fornecedora da Chrysler teria usado o documento, que não tem validade jurídica, para obter o empréstimo, acrescentou o servidor.
A Assembléia, para onde Rocha também enviou a denúncia, quer saber se o imóvel recebeu benfeitorias da Paese antes de ser revendido. Neste caso, Rocha declarou que apenas a Detroit tinha um alvará de construção concedido pela Prefeitura de Curitiba. A Assembléia só deve se manifestar depois de receber os documentos que pediu a Rocha. ‘‘A Assembléia não pode sair investigando qualquer denúncia’’, disse Hermas Brandão. Apesar do caso envolver dinheiro público, o deputado mencionou que também há uma empresa privada citada na denúncia, o que, segundo ele, demanda uma série de critérios a serem seguidos, muitos deles fora do alcance do Legislativo.
‘‘Quando vai para o campo da iniciativa privada, temos de obter todas as informações corretas de quem denuncia’’, alegou Brandão, referindo-se ao pedido de informação enviado a Rocha. Nas próximas semanas, a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) vai encaminhar à Justiça o pedido de quebra do sigilo bancário da Detroit.

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