Luciana Nunes Leal
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
Desgastado pelas denúncias contra os principais colaboradores e, agora, enfrentando a oposição do PT, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), tentará tirar bom proveito do feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho. Nessa data, ele assinará decreto que aumenta para R$ 400 o piso salarial dos servidores estaduais. Uma grande manifestação de agradecimento ao governador pedetista vai reunir funcionários públicos e evangélicos da capital e do interior. O ato público pró-Garotinho será na Cinelândia, velho reduto do PDT dos tempos do ex-governador Leonel Brizola, presidente nacional do partido.
Garotinho ainda tem esperança de que, até o Dia do Trabalho, a comissão formada para decidir o salário mínimo no Estado (pago a todos os trabalhadores, até mesmo da iniciativa privada) tenha chegado a um consenso. Nos planos otimistas do governador, o grupo optará por R$ 200 mensais. Ele assinaria, então, os dois decretos de uma vez só. Em fase de atritos também com o governo federal, o governador do Rio torce para conseguir exibir um salário mínimo estadual bem maior do que o piso nacional de R$ 151 decidido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
A intenção dos organizadores da manifestação é levar pelo menos 20 mil evangélicos ao ato público, além dos funcionários e aposentados, que agradecerão o aumento. No PDT, porém, há quem esteja preocupado com a festa. Em um momento de fragilidade do governo, dizem os mais cautelosos, poderia ter o efeito contrário, se transmitir a impressão de que o governo tenha facilitado, por exemplo, o transporte dos fiéis.
Qualquer centavo público gasto, alertam, seria desastroso. A recomendação geral é que o primeiro escalão não se envolva na organização da manifestação. Garotinho participará apenas como homenageado. Entre os pedetistas mais ligados a Brizola, teme-se que, mais uma vez, Garotinho seja criticado pelo uso político dos evangélicos.
Outra fato que pode atrapalhar a festa é a ameaça de Garotinho de excluir os pensionistas do piso de R$ 400. A medida é uma resposta do governador à liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), proibindo o Estado de cobrar contribuição previdenciária dos servidores que recebem aposentadorias e pensões.
Diante da reação do governador, o líder do PMDB na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Henry Charles, prometeu entrar com uma ação direta da inconstitucionalidade, alegando que tudo o que for pago aos servidores da ativa deve ser estendido aos aposentados e pensionistas. Segundo Charles, Garotinho estuda a possibilidade de fazer o piso salarial dos servidores chegar a R$ 400 sob forma de gratificação e não de salário fixo. ‘‘Significa que o governador pode tirar a gratificação quando quiser ou dar só aos funcionários da ativa; e isto é inaceitável’’, avisa o líder peemedebista.

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