Servidor da Unioeste denuncia coação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
O funcionário da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Carlos Edir Avelino, firmou anteontem em cartório uma escritura pública declaratória onde acusa o reitor em exercício da instituição, Wilson Iscuissati, e o assessor jurídico, Gilceo Klein, de o terem coagido a prestar um depoimento ao Ministério Público fazendo acusações contra a reitora afastada, Liana Fuga.
No documento, o funcionário afirma que passou a ser ''assediado'' pelo reitor após assumir um cargo remunerado na reitoria. Ele completa que o assessor jurídico teria dito que, ''caso não fosse fazer as denúncias no MP contra a reitora Liana Fuga, seria exonerado do cargo e poderia também ser processado por não aceitar as orientações da reitoria e assessoria jurídica''.
No depoimento contra Liana, prestado no dia 24 de julho, Carlos Avelino acusou a reitora de lhe mandar fazer um depósito no valor de R$ 250,00 em nome de sua filha, Jaqueline Vasconcelos, com dinheiro da Unioeste. Na nova versão, o funcionário alega que o depósito realmente foi feito, porém com dinheiro da própria reitora.
Outra acusação desmentida pelo funcionário diz respeito a uma viagem feita por Liana Fuga e seu marido, Itamar Farinazo, para São Paulo. Ao MP, ele disse que ambos foram assistir ao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, com as passagens pagas com dinheiro da universidade. Dessa vez, ele garante que ''a reitora foi para São Paulo participar de um seminário e aproveitou para assistir à corrida''.
Na escritura, o funcionário não fez menção a uma outra acusação, apresentada contra Liana Fuga. Ao MP, ele disse que por ''ordem expressa da reitora, retirava cheques ao portador junto ao departamento financeiro, e posteriormente, descontava junto à agência do Banestado, instalada dentro do campus, entregando os valores em dinheiro integralmente à reitora''.
O assessor jurídico da Unioeste, Gilceo Klein, afirmou que o funcionário nunca foi pressionado a prestar depoimento. Segundo ele, foi o próprio Carlos Avelino que procurou o reitor para prestar o depoimento. ''Fomos mais de uma vez ao Ministério Público e muitas vezes ele ficou sozinho. Se ele quisesse poderia ter ido embora'', declara.
O promotor de Justiça Carlos Alberto Choinski, que investiga as acusações contra Liana, informou que o funcionário terá que provar que estava sendo coagido. Ele completa que Avelino pode ser processado por falso testemunho, dependendo do que e da forma como mentiu. Sobre o processo, o promotor disse que esse novo depoimento não altera as investigações. ''Me parece que o ingrediente é político'', alegou.
Liana disse que ''amanhã (hoje) completa quatro meses de nosso afastamento e ''até agora nada ficou comprovado''. E acrescentou: ''Essa é mais uma prova de nossa inocência''. Wilson Iscuissati estava ontem em Curitiba e não foi localizado.


