Servidor condenado ocupa cargo de diretor
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terça-feira, 06 de agosto de 2013
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O técnico de gestão Wagner Trindade, condenado por improbidade administrativa por fraude em licitação para o curso de treinamento da Guarda Municipal ao lado do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e de outros quatro réus, ocupa cargo de confiança na administração do atual prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD). Desde o final do ano passado, Trindade é diretor de Pessoal na Secretaria de Gestão Pública, cargo de segundo escalão no organograma municipal.
Ontem, ao saber que o diretor havia sido condenado em primeira instância, o prefeito disse que pediria "providências imediatas" ao secretário de Gestão Pública, Rogério Dias. "Dentro do que nos comprometemos na campanha, não dá para manter uma situação como essa. Não hesitarei em pedir providências imediatas", afirmou o prefeito.
O secretário disse que ainda pela manhã o diretor que está de férias lhe telefonou e colocou o cargo à disposição. "Não pode ser exonerado da função agora porque está de férias. Mas quando voltar, no próximo dia 25, vamos nomear um substituto", disse Dias, acrescentando que "é um servidor extremamente competente em sua função". "Quando o prefeito me ligou para falar sobre o caso, já o comuniquei sobre as providências."
Trindade foi condenado por improbidade administrativa por decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública, com data de segunda-feira, juntamente com Barbosa Neto, os ex-secretários Marco Cito (Gestão Pública) e Benjamin Zanlorenci (Defesa Social), o empresário Cleiton Dias e a empresa Delmondes e Dias.
Ele estava lotado na Secretaria de Defesa Social e, para o juiz Marcos José Vieira, "tinha ciência plena de que a ré Delmondes nunca prestara os serviços contratados, mesmo porque esteve presente na aula inaugural" e, mesmo assim, "subscreveu a ordem de serviço, o termo de declaração de serviço prestado, bem como as notas de empenho e as notas fiscais".
Apesar da condenação pela Justiça, Trindade não responde processo interno na prefeitura. A Corregedoria Geral informou que eventual processo deveria ser instaurado pela Corregedoria da Guarda Municipal uma vez que a irregularidade ocorreu na Secretaria de Defesa Social. Mas, segundo o secretário Rogério Dias, o servidor também não responde a processo na GM.
Zanlorenci também ocupa função pública com salário de R$ 5,5 mil. Ele é assessor comissionado na Câmara, nomeado pelo presidente Rony Alves (PTB), para assessorar a Comissão de Segurança, presidida por Péricles Deliberador (PMN). O assessor também é filiado ao PMN. Rony disse que avaliará a situação de Zanlorenci em conjunto com a Mesa Diretora e terá uma resposta ainda hoje.
Celeridade
O promotor de Justiça Renato de Lima Castro, que assinou a ação ao lado da promotora Leila Voltarelli, manifestou satisfação com a decisão. Ele destacou a celeridade da sentença, proferida praticamente dois anos após o ajuizamento da ação. "A resposta extremamente célere do Judiciário reforça o sentimento de justiça e desestimula os atos ilícitos e crimes contra a administração pública", afirmou.
Para ele, a fraude no caso do treinamento dos guardas municipais era "evidente e descarada", o que demonstra que os agentes públicos e particulares "perderam a vergonha". "Foi uma fraude descarada e evidente e revela o total desrespeito aos órgãos de fiscalização." A ação e a sentença demonstram que o curso de formação dos guardas começou a ser ministrado 50 dias antes de a empresa ter sido contratada e que todos os réus tinham pleno conhecimento deste fato.


