O Palácio do Planalto determinou ao Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado a realização de estudos para pagar aos servidores públicos federais a diferença entre os 28,86% concedidos em 1993 aos militares e os reajustes concedidos em fevereiro do mesmo ano aos servidores civis. A possibilidade de conceder aos servidores civis esse reajuste foi decidida depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou o governo a descontar os reajustes concedidos. Quem não recebeu nenhum reajuste poderia ter aumento salarial de até 28,86%.
Os estudos devem ser apresentados na próxima semana durante reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. A reunião deverá contar com a presença de representantes da Advocacia Geral da União e dos ministros Pedro Malan (Fazenda) e Antonio Kandir (Planejamento). Embora estejam fazendo simulações dos gastos adicionais que a medida poderá representar, os técnicos do Ministério da Administração aguardam a publicação do acórdão (decisão) do STF para analisar como a sentença será aplicada.
A expectativa do governo é que o acórdão seja publicado na próxima semana. Sem reajuste salarial linear desde janeiro de 1995, os servidores civis podem receber esse aumento antes do final do ano. De qualquer forma, o presidente Fernando Henrique Cardoso não deve adotar nenhuma medida sem antes ouvir os integrantes da equipe econômica.
A principal vantagem do governo ao conceder o aumento linear, depois de feitos os descontos autorizados pelo STF, é se antecipar a futuras decisões que determinem o pagamento do reajuste. Embora muitos servidores tenham entrado na Justiça, o STF só julgou o caso de dez funcionários. O primeiro julgamento foi em fevereiro de 1997, e o STF considerou que os 28,86% dados aos militares deveriam ser repassados aos servidores civis. O governo recorreu e na última quarta-feira foi autorizado a descontar os reajustes concedidos com base na lei 8.627 de fevereiro de 1993.

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