Servidor acusa prefeito de perseguição política
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O técnico em agropecuária Antonio Roberto Nogueira, 33 anos, funcionário da prefeitura de Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana), está acusando o prefeito Ivan Carlos Beligni (PFL) de perseguição política.
Um projeto do Executivo, em trâmite na Câmara dos Vereadores, pretende extinguir o cargo de Nogueira, autor de uma denúncia ao Ministério Público que resultou na apreensão de centenas de cartazes promocionais da festa de peão boiadeiro da cidade o 3º Piseiro Country.
No material, o nome do prefeito e do presidente da Câmara, Nivercino Bueno (PFL) constavam como apoiadores do evento, promovido por um amigo de Beligni. A festa foi realizada no último final de semana, sem cobrança de ingresso. Nas duas primeiras edições, a entrada era paga.
A promotora Suzana de Lacerda, que determinou o recolhimento de cartazes, não descarta que a propaganda irregular possa gerar um pedido de inelegibilidade do prefeito.
Beligni nega a relação entre os dois fatos. Protocolamos o pedido de extinção do cargo antes da denúncia, garante. Hoje, o técnico na prefeitura é improdutivo. Ele não trabalha, faz política o tempo todo, fala mal da administração. É um radical, que não cumpre seus deveres, ataca. Ele chegou a passar dias inteiros arregimentando pessoas para se cadastrarem no cartório eleitoral em busca de voto, abandonando suas funções.
Presidente do diretório local do PT e virtual candidato a vereador, Nogueira rebate as críticas sustentando que não tem condições ideais de trabalho. Não sou autorizado a usar carro e telefone. Como vou desempenhar minha função?, reclama.
A Folha apurou que os agricultores estão articulando um movimento para impedir a aprovação da lei de extinção do cargo de Nogueira, já que a cidade só dispõe de um técnico da Emater, já sobrecarregado.
Tenho apoio deles porque conhecem meu trabalho, diz. O município é um dos maiores produtores de hortaliças do Estado e praticamente toda a arrecadação de impostos advém da agropecuária.
Nogueira também acusa o prefeito de ter provocado, ao longo do mandato, a queda nos seus ganhos, que, com gratificações, já alcançou seis salários mínimos. Hoje, ele ganha R$ 300,00 (menos de dois mínimos em vigor). Ele não trabalha, não pode ter prêmio nenhum, responde o prefeito.
Beligni diz que o comportamento de Nogueira é passível de demissão por justa causa. Não fiz isto justamente para evitar a polêmica. Com a extinção do cargo, ele receberá uma pensão e terá preferência em uma possível recriação do cargo na próxima gestão, explica. Além do técnico agropecuário, tentarei extinguir o cargo de administrador e alguns outros que achar necessário para manter as finanças em ordem, promete. Os projetos para extinção de cargo passam por três turnos de votação e necessitam de aprovação de seis dos nove vereadores.
Tesoureiro da Associação dos Municípios do Paraná, Beligni é um dos idealizadores da proposta do senador Osmar Dias (PSDB) de reestruturação na redução das cotas do Fundo de Participação dos Municípios. Marilândia, em grave situação financeira, teve queda de 50% na cota do FPM depois do desmembramento do distrito de Mauá da Serra. Pela lei, a redução da cota é gradativa. Se a proposta de Osmar for aprovada, o prazo será esticado.


