Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) determinou esta semana que o Serviço Reservado da Polícia Militar (PM) passe por uma intensa reformulação. O pedido foi feito diretamente para o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, depois das denúncias de envolvimento de policiais militares do extinto Grupo Águia com reintegrações forçadas de posse e formação de milícias armadas no campo. As denúncias culmiram com prisões de policiais na reserva e do oficial da PM, tenente-coronel Valdir Copetti Neves.
O comandante da PM, coronel David Pancotti, terá 60 dias para apresentar um novo modelo de Serviço Reservado. Este modelo deverá contemplar um número reduzido de policiais militares que trabalharão exclusivamente na investigação de crimes cometidos pelos próprios policiais militares (função inicial da P-2, serviço velado da Polícia Militar). Os integrantes do Serviço Reservado serão selecionados pela Chefia da Inteligência da Polícia Militar, com sede em Curitiba. Eles serão treinados na Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Nenhum batalhão ou pelotão do interior do Estado poderá escolher aleatoriamente os integrantes do serviço investigativo. Neste momento, 30 policiais militares já estariam sendo treinados efetivamente para trabalhar no Serviço Reservado. A intenção é evitar que ocorram novos desvios de função. O Grupo Águia foi criado originalmente para combater assaltos a ônibus e cargas. Ele deveria ter nos seus quadros policiais civis e militares, que atuariam na repressão e na investigação. Entretanto, o próprio tenente-coronel Neves teria levado o Águia para a Polícia Militar no início da década de 1990, quando ocupou interinamente a chefia da Central de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Cisesp).
O chamado ''serviço secreto'' da PM terá todas as investigações monitoradas e centralizadas em Curitiba, na chefia de Inteligência, para evitar que sejam feitas ações sem o conhecimento da cúpula da PM. A Central de Inteligência da PM será subordinada à Cisesp órgão máximo de Inteligência do Estado do Paraná. A reunião que definiu os parâmetros para a nova PM-2 foi feita anteontem, na sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
A reportagem entrou em contato ontem com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, no período da manhã e também à tarde, mas não houve retorno do comando da corporação para comentar as mudanças.

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