Serviço prestado não teria sido declarado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de agosto de 2005
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O proprietário de uma estamparia cuja identidade está sendo mantida em sigilo afirmou ontem ao delegado da Polícia Federal (PF) Kandy Takahashi, que confeccionou 4 mil adesivos para a campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT). No entanto, o serviço não teria sido declarado à Justiça Eleitoral. Takahashi preside o inquérito que apura denúncias de irregularidades na prestação de contas da campanha petista.
No depoimento, o empresário ainda afirmou que foi contactado e pago por intermédio de pessoas que hoje compõem a administração municipal. O empresário relatou que recebeu cerca de R$ 4 mil em dinheiro em fevereiro deste ano em uma agência bancária da cidade. Ele também entregou ao delegado uma nota fiscal, em que detalha as inscrições dos adesivos. ''Uma pessoa foi intimada a vir aqui após eu ter recebido uma denúncia anônima de que ele teria trabalhado na campanha mas que não aparecia (na prestação de contas). Essa pessoa veio aqui, apresentou um documento comprovando que houve a prestação de serviços e afirmou que recebeu R$ 5,7 mil. O pagamento foi em dinheiro'', relatou o delegado.
Outras seis pessoas foram ouvidas ontem pela manhã por Takahashi, fora do prédio da PF. Todos trabalham no mesmo local e afirmaram ao delegado que, no segundo turno das eleições, teriam trabalhado como seguranças em média sete dias cada a um custo de R$ 50 por dia. Os seis seguranças foram citados pelo ex-motorista da campanha R.B., no depoimento prestado à PF na terça-feira. ''Não foram encontrados os nomes dessas pessoas e dessa empresa na prestação de contas. O partido provavelmente será chamado para se explicar sobre isso'', disse o delegado.
O tesoureiro do diretório municipal do PT, Francisco Moreno, afirmou ontem que todos os serviços contratados pela coordenação da campanha foram declarados na prestação de contas. Conforme o PT, a campanha consumiu cerca de R$ 1,3 milhão. ''As coisas que a campanha do Nedson pediu para fazer, foram contabilizadas. Se alguém pediu (serviços), e não foi via coordenação da campanha, não é responsabilidade nossa'', disse Moreno.
O delegado deverá ouvir hoje sete pessoas que teriam trabalhado na publicidade da campanha de Nedson.


