O prefeito de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), Luis Oporto (PMDB), disse ontem que anuncia semana que vem o fim do impasse em torno do concurso público realizado e cancelado mês passado. Segundo o chefe do Executivo, há duas possibilidades: fazer nova licitação para contratar a empresa que elabore e coordene as provas, ou chamar a segunda colocada do certame que aconteceu em outubro. ''Vai depender do posicionamento que o Ministério Público (MP) nos passar, na próxima segunda-feira'', afirmou o prefeito em visita ontem à Redação da FOLHA, referindo-se à investigação que a Promotoria de Justiça local instaurou sobre o caso.
As provas aplicadas no último dia 14, voltadas ao setor de saúde, foram prestadas por cerca de 430 candidatos que concorreram aos cargos de enfermeiro, farmacêutico, nutricionista, técnico em raio-X, recepcionista, telefonista, copeiro, vigia e zelador. Naquelas de candidatos a vagas de motorista e lavadeira de roupas, contudo, o gabarito veio impresso juntamente com o exame. Uma vez detectado o problema, a Prefeitura cancelou o concurso e encaminhou ofício comunicando o fato à promotora de Justiça Ana Maria de Oliveira Santos. Paralelamente, a administração também registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Polícia Civil de Sertanópolis.
''Logo que a comissão de licitação verificou as situações irregulares, a prova foi cancelada, e o MP comunicado'', disse Oporto. Na sequência do encaminhamento de ofício pela Prefeitura, a promotora pediu que o processo seletivo fosse cancelado até que se apurasse o caso.
No último dia 22, a empresa que aplicou o concurso, a S.Medeiros & Morais, de Ibaiti, divulgou em informe publicitário, na imprensa, comunicado em que assumia a responsabilidade pelo ocorrido - devido a um ''erro de impressão'', salientou. À época, a promotora que cuida do caso comentou, em entrevista à FOLHA, que a investigação atentaria também à informação passada por um anônimo, por telefone, conforme o qual uma das empresas que não venceu a licitação para o concurso poderia ser beneficiada graças ao vínculo com um diretor de Oporto. O secretário-geral da Prefeitura, Vacir Rizzato, respondera que um dos diretores ''apenas conhece o dono do grupo que concorreu''.
Ontem, o prefeito rebateu o funcionário. ''Nenhum dos empresários tinha qualquer vínculo familiar ou de amizade com pessoal nosso. Tampouco algum parente de gente da administração prestou o concurso'', asseverou Oporto, lembrando que a própria filha e a esposa ocupam cargos no alto escalão da Prefeitura. ''O novo concurso será feito o mais rápido possível'', concluiu.

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