Brasília - A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), presidente da CPI dos Cartões Corporativos, acusou ontem o ministro Orlando Silva (Esportes) de fazer uma ''caixinha'' com recursos devolvidos ao ministério após despesas pagas irregularmente com os cartões. Em depoimento à CPI, Silva disse que ressarciu a pasta de gastos que não poderiam ter sido debitados nos cartões. ''Eu não acredito que haja uma forma normal de servidores fazerem um caixa. Isso não pode ser regra no serviço público brasileiro. Os servidores públicos não podem achar que a legislação lhes faculta esse direito. Não há possibilidade de fazer poupança, uma caixa, uma reserva para eventuais gastos que foram extrapolados'', criticou.
A senadora não colocou sob suspeita os recursos devolvidos por Silva, nem acusou o ministro de embolsar o dinheiro do caixa. Mas disse não estar de acordo que recursos devolvidos à pasta possam ser utilizados, posteriormente, para compensar outros gastos irregulares com os cartões. Silva disse que, no episódio da compra de uma tapioca de R$ 8,30 com o seu cartão corporativo, o Ministério dos Esportes constatou a irregularidade em dezembro do ano passado, antes da notícia ser divulgada publicamente. Por este motivo, disse que já havia ''recolhido'' o valor à pasta.
A exemplo da tapioca, Silva disse que no caso da hospedagem de sua família em um hotel no Rio de Janeiro - paga com o cartão corporativo - o controle de gastos do ministério também computou que houve pagamento extra, por isso devolveu os recursos à pasta. (Gabriela Guerreiro/Folhapress)

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