Brasília - Obstinado em conseguir o indiciamento de parlamentares e ex-parlamentares da base aliada do governo citados nas denúncias do esquema do ''mensalão'', o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), deixou de lado, na tarde de ontem, o trabalho na comissão para pressionar a administração federal a liberar verbas à região eleitoral dele. Serraglio foi ao Palácio do Planalto pedir a assessores e técnicos do Poder Executivo a liberação de emendas que apresentou ao Orçamento da União deste ano. ''Se o governo disse que as emendas de todos vão ser liberadas, então, também quero a liberação das minhas'', disse.
Cada deputado e senador tem uma cota definida de R$ 3,5 milhões no Orçamento para alocação de verbas em projetos e obras nos currais eleitorais. A repercussão nacional do trabalho de um parlamentar pode não valer de nada se o deputado ou o senador não forem bem avaliados pelos eleitores deles. Pensando nisso, todos os anos, os parlamentares travam uma batalha para arrancar do Executivo o empenho de pagamento das emendas. O Palácio do Planalto, por sua vez, costuma usar a liberação de recursos para assegurar a aprovação de projetos e apoio de bancadas no Congresso.
Sobre se recebia represálias do Planalto pela atuação na CPI, que investiga petistas e outros aliados, Serraglio saiu pela tangente. ''Estive em alguns ministérios e eles disseram que as emendas não foram liberadas porque faltavam assinaturas'', disse. Ele ressaltou ainda que não fez um levantamento do percentual das emendas que está bloqueado. ''Vamos resolver isso'', completou.

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