Londrina - O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI Mista dos Correios, fez uma previsão sombria sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: ''Vamos ver acontecer o que aconteceu com Collor''. O deputado se refere ao processo de impeachment que culminou com a cassação do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Serraglio fez esta declaração na sexta-feira à noite, durante o programa ''Entrevista Coletiva'', da TV Tarobá, de Cascavel (PR). O deputado - que foi escolhido relator por ser de confiança do governo Lula - mostrou-se firme ao ser questionado pelos entrevistadores se a CPI iria até as últimas consequências ou terminaria em ''pizza'', como muitas outras. Serraglio foi categórico: no que depender dele, as denúncias de corrupção nos Correios e de existência do mensalão serão apuradas ''rigorosamente''.
Serraglio foi firme em relação a Lula que, para ele, foi ''omisso'' ao tratar das denúncias de corrupção, sobretudo quanto ao mensalão, sobre o qual o presidente foi alertado pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Na opinião de Serraglio, se forem comprovadas a existência do ''mensalão'' e a conivência do governo petista com essa irregularidade, vários deputados serão cassados e ''aí nós vamos ver acontecer o que aconteceu com Collor''.
Sobre o ''mensalão'' - que poderá ser investigado pela CPI dos Correios ou por outra CPI específica - Serraglio disse acreditar em sua existência. ''Acredito, mas não sei em que nível'', disse o deputado. ''Fala-se em partidos, mas tem muita gente séria nesses partidos'', ressalvou.
Segundo ele, a existência do ''mensalão'' era sussurrada há meses no Congresso e não foi investigada antes porque ''ninguém faz nada antes de ter informações mais detalhadas''. Serraglio está no segundo mandato. No governo de Fernando henrique Cardoso, garantiu não houve esse tipo de pagamento a deputados em troca de apoio aos projetos do governo.
O relator da CPI, que declarou-se incomodado quando classificado de ''chapa branca'' por pertencer à ala governista do PMDB, admitiu apoiar o governo, mas com ''ressalvas''. Entre elas, apontou a ocupação da máquina administrativa por petistas, sem a exigência de concurso. Em segundo lugar, a capacidade técnica do primeiro escalão do governo. ''Acho que ele (o presidente Lula) tinha que ter sido mais criterioso na composição do ministério, até em matéria do PT... as pessoas que não tinham onde ser acomodadas e viraram ministro, não é por aí'', disse Serraglio.

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