Brasília - O relator da CPI dos Correios (2005-2006), deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), foi à tribuna da Câmara ontem para enumerar o que chamou de ''a dúzia de provas'' da participação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) no esquema do mensalão. A CPI relatada por Serraglio investigou o esquema entre 2005 e 2006 e sugeriu o indiciamento de Dirceu, dentre outros parlamentares.
Serraglio disse estar ''farto da alegação de que o mensalão é fantasia''. A gota d'água, segundo ele, foi um artigo publicado anteontem na Folha de S.Paulo em que o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto defendeu Dirceu. ''Ainda agora assistimos José Dirceu concitando os jovens a se manifestarem diante de sua inocência'', discursou o deputado.
O deputado listou os seguintes indícios coletados tanto pela CPI quanto pelo processo do mensalão, que poderá ser levado a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) no segundo semestre deste ano:
1) à época em que Dirceu era ministro, ''nada ocorria sem o beneplácito do superministro, como era chamado na imprensa e nos corredores do poder'';
2) Roberto Jefferson, líder do PTB, ''confessa que tratou por mais de dez vezes do mensalão com Dirceu'';
3) o publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza ''afirmou que ouviu de Delúbio [Soares, ex-tesoureiro nacional do PT e da campanha presidencial de Lula em 2010], que Dirceu deu ''aval' aos empréstimos bancários que alimentaram o mensalão;
4) a mulher de Valério ''assentou que Dirceu se reuniu com o presidente do Banco Rural no Hotel Ouro Minas para acertar os empréstimos do banco'';
5) Valério ''arrumou emprego para a ex-mulher de Dirceu no [banco] BMG em São Paulo'';
6) um sócio do publicitário se ''tornou 'comprador' do apartamento da ex-mulher de Dirceu em São Paulo'';
7) Valério ''afirma que foi quem ajustou a audiência havida entre os diretores do BMG e o ministro Dirceu'';
8) segundo Valério, ''Silvio Pereira [ex-secretário nacional do PT] lhe disse que José Dirceu sabia dos empréstimos junto aos bancos'';
9) a presidente do Banco Rural ''declarou que Valério era um 'facilitador' das tratativas com o governo'' e ''disse mais, que ''Dirceu foi a única pessoa do governo com quem ela falou' sobre o interesse do Rural relativo à aquisição de parte do Banco Mercantil de Pernambuco'';
10) o ex-deputado Jefferson ''afirmou que, por orientação de Dirceu, houve encontro no Banco Espírito Santo, em Portugal, à busca de R$ 24 milhões'';
11) o ex-tesoureiro do PTB, ''Emerson Palmieri relata que todas as tratativas eram ratificadas, ao final, por Dirceu'';
12) a ex-secretária de Valério na agência de publicada em Belo Horizonte (MG), Karina Somaggio, ''testemunhou que Valério mantinha contatos diretos com José Dirceu''.
Serraglio disse que a CPI ajudou a ''abrir o caminho'' para a eleição de Dilma Rousseff, em 2010, como sucessora de Lula, ao enfraquecer Dirceu, nome natural dentro do PT, antes do escândalo, para uma eventual candidatura à Presidência.

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