Curitiba - O relator da CPI dos Correios, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou ontem que tem vontade de voltar ao cenário político paranaense, mas que vê esta possibilidade como remota. ''Se dependensse de mim, sairia candidato a vice-governador. Mas tem muita disputa ainda.'' Serraglio ganhou notoriedade na relatoria da CPI. Porém, mesmo assim prevê que vai sofrer dificuldades dentro do Congresso depois do seu trabalho na CPI. Além disso, disse ter vontade de voltar ao Estado porque não pôde levar a família para Brasília.
''Se pudesse voltar para o Paraná seria bom. Sair para deputado estadual no PMDB não é fácil porque tem muito figurão aí. Acho que vou para deputado federal mesmo. Fala-se em ser vice-governador. Mas acho que isso é remoto porque vai haver coligação'', explicou o deputado. Serraglio afirmou ainda que não quer brigar pelo cargo de deputado estadual com amigos de sua região (sua base eleitoral é Umuarama). O deputado também descarta a hipótese de disputar uma vaga para o Senado. ''Quem não quer ser senador? Mas pé no chão né!''
Apesar de suas pretensões de voltar a ocupar um mandato eletivo dentro do Estado, Serraglio garantiu que não tem conversado com a cúpula do PMDB no Paraná sobre a questão. ''Eu não sou muito assíduo. Fui poucas vezes ao Paraná durante a CPI'', disse. Seja para o cargo que for, o relator da CPI dos Correios se mostra bastante confiante na sua eleição depois da notoriedade que ganhou no cargo.
''Acho que mostrei que não usei a CPI para visibilidade. Se quisesse poderia ter ido o tempo todo aí'', garantiu. ''Mas facilita bastante. É impressionante como me tornei conhecido. Por onde vou recebo os cumprimentos pelo trabalho realizado. Mas não sei o efeito em termos de votos. As pesquisas um mês antes das eleições para deputado federal mostram que nem 10% dos eleitores sabem em quem votar ainda'', ponderou.
Serraglio contou que sofreu grande pressão por parte dos parlamentares envolvidos no chamado mensalão e, por isso, têm seus nomes no relatório final. ''Todos que são investigados acham que são inocentes. Eu entro no plenário e o pessoal vem na goela'', completou. Com relação à aprovação e eventuais modificações no relatório apresentado, o deputado afirmou que os parlamentares ''estão brigando, batendo de tudo que é lado.'' ''Mas eu acho que eu fiz corretamente.''
Quanto às coligações para as próximas eleições, o palpite de Serraglio é que o PMDB vai deixar os estados livres para coligar com os partidos que quiserem. ''Parece que a Rosinha (Matheus, atual governadora do Rio de Janeiro) vai renunciar e se isso é um sinal que o (Anthony) Garotinho não vai ser candidato (a presidente pelo PMDB). Ela vai para senadora e ele para deputado federal'', afirmou. Já pelo PT, o deputado acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter dificuldades de se reeleger depois de todo esse desgaste.
Serraglio é de Umuarama, tem 57 anos e tem uma filha de cinco anos. Ela seria um dos motivos da vontade do deputado de voltar a atuar no Estado. ''Ela fala que quer que o pai dela seja como o pai dos outros que não precisa ir para Brasília'', contou. ''E eu não tenho condições de trazer minha família para cá (Brasília). Ela está muito bem ali com os parentes da minha mulher'', finalizou.

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