Brasília - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Corrreios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresenta amanhã o relatório que pede a abertura de processo de cassação do mandato de 18 deputados, por envolvimento com o esquema de corrupção montado pelo PT. Se aprovado, o pedido terá de ser enviado à CPI do Mensalão, encarregada de investigar a compra de votos tanto para a aprovação de projetos de interesse do atual governo quanto para a emenda da reeleição, em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Fazem parte da lista de Serraglio deputados que são ou que foram muito influentes no Congresso ou no governo, como José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ), João Paulo Cunha (PT-SP), José Borba (PMDB-PR), Paulo Rocha (PT-PA), Carlos Rodrigues (PL-RJ), João Magno (PT-MG), José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes da Silva (PT-BA), Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG), Sandro Mabel (PL-GO), Vadão Gomes (PP-SP) e Wanderval Santos (PL-SP).
Serraglio admitiu que sofre muita pressão para retirar alguns nomes da lista. ''A pressão vem de todos os lados'', disse. Ele não contou quais são os deputados que o têm procurado, mas assegurou que não recuará.
Por intermédio dos poucos líderes que restaram, muitos tentam convencer Serraglio a deixá-los de fora, sob o argumento de que não foram ouvidos pela CPI. Mas o relator tem respondido que essa função não é dele, que cuida da corrupção nos Correios e em outras estatais. O caso específico de parlamentares envolvidos com o sistema de corrupção cabe à CPI do Mensalão.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) quer incluir também na lista dos candidatos à degola o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou no início do mês para fugir ao processo de cassação e assim manter os seus direitos políticos a Constituição determina que, uma vez aberto o processo no Conselho de Ética, o ato da renúncia não salvaguarda mais os direitos políticos, que ficam suspensos por oito anos. Dias alega que Costa Neto ainda é presidente do PL.
A agitação nas CPIs em funcionamento no Congresso, porém, não ficará somente a cargo do pedido de abertura do processo de cassação contra os deputados influentes. As CPIs dos Bingos e do Mensalão prometem ter uma semana agitada, com depoimentos amanhã, quarta e quinta-feiras. A dos Correios, que teve início antes, ouvirá na quarta-feira os dirigentes das corretoras Bonus-Banval Emivaldo Quadrado, Bruno Fishburger e Ubirajara dos Santos Macieira e o presidente da Guaranhuns, José Carlos Batista. Pela Bônus era repassado o dinheiro do PP; pela Guaranhuns, o do PL.

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