Serraglio aposta em bandeiras para conquistar Presidência da Câmara
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Karla Losse Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Otimização da produção e valorização dos deputados são as bandeiras da candidatura do deputado paranaense Osmar Serraglio (PMDB) à presidência da Câmara Federal. Candidato avulso e sem o apoio da cúpula de seu partido - que indicou o deputado de São Paulo Michel Temer para o cargo -, Serraglio corre contra o tempo para convencer os outros parlamentares de que seria a melhor opção. Para assumir a Presidência, ele - que atualmente é o primeiro secretário da Casa - precisará conquistar o apoio de 257 deputados até o dia 2 de fevereiro, data em que ocorrem as
eleições.
A data marcada para a escolha foi alvo de duras críticas de Serraglio. Em entrevista à FOLHA, o deputado afirmou que a eleição logo após o recesso parlamentar seria um artifício para dificultar a competição. Nós estamos em recesso e não é fácil provocar. Não há tempo de debate, o que também já é um engenho pro-positado, reclamou.
Com o pouco tempo que dispõe para tentar reverter a situação de favoritismo de Michel Temer na disputa, Serraglio aposta no corpo a corpo e faz campanha dando telefonemas e enviando cartas para os companheiros de Congresso. O método, segundo ele, tem surtido efeito. Quando eu consigo fazer o deputado refletir eu acho que avanço, afirmou. De acordo com o deputado, esse apoio só não seria mais evidente por uma preocupação com a exposição. A verdade é que nós estamos contra uma máquina ainda, então nem eu quero que as pessoas se exponham. Mas cada um tem o seu contato, sua conversa, disse.
Além da receptividade que ele diz receber dos deputados, Serraglio encontra apoio em uma vitória nas eleições passadas para a Mesa da Câmara para acreditar nas possibilidades de êxito em sua campanha. Há uma mentalidade, que não é a mentalidade de cúpula, e ela é tão forte que eu ganhei o segundo cargo da Casa (a Primeira Secretaria) com uma candidatura avulsa, afirmou. Ele cita ainda o exemplo do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para corroborar sua tese. Se cúpula mandasse, Obama não seria o presidente. A Hillary (Clinton) tinha tudo no partido Democrata e perdeu, comentou.
Mas, para Serraglio, a essência de sua candidatura são as propostas para a Casa. A gente tem uma boa bandeira, a bandeira da mudança. Nós vamos valorizar o parlamentar e sistematizar o trabalho para que ele realmente produza de forma mais efi-ciente, disse. Ele pretende também investir na recuperação da credibilidade dos parlamentares. O quadro de pessoas que temos aqui é altamente qualificado. Você tem ex-ministros, ex-governadores, professores, desembargadores, promotores, um quadro excepcional que não corresponde ao que a população pensa, analisou.
Ele defende também que a população tenha mais acesso às atividades parlamentares como um todo. A maior produção nossa é realizada nas comissões. O ano passado nós aprovamos 346 projetos que foram conclusivos nas Comissões da Câmara e foram direto para o Senado sem passar pelo plenário. Disso, a população sequer toma conhecimento, afirmou.
De acordo com o deputado é preciso que os parlamentares mostrem com transparência suas ações. Temos que mostrar inclusive em relação às emendas que os parlamentares fazem ao orçamento. A primeira imagem é de barganha, de coisas incorretas, e não é. O orçamento só é de fato participativo quando o deputado pode colocar emendas. Quando há corrupção que se reponsabilize. Agora o que não pode é jogar todos os deputados em uma vala comum, desabafou.
Ele critica também a forma de organização dos trabalhos na Câmara, que não seria eficiente. Temos mais de 10 mil projetos em andamento. Precisamos sistematizar isso, organizar, ter um sistema gerencial. Tratar por temas, aprofundar, mostrar o que nós estamos produzindo e produzir leis consistentes, leis que durem, afirma. Para isso, ele defende a legística, um sistema que identificaria todos os cenários relacionados às leis. Quando você não tem os cenários, vira essa parafernalha de um país que tem mais de cem mil normas. Quando você altera uma lei de cinco, dez anos atrás, tudo bem. As pessoas mudam, as circunstâncias mudam. Mas, se você faz hoje para daqui uma semana dizer que está errada é porque foi mal feita, disse. Para ele o tempo destinado à discussão das leis não seria adequado para aprofundar a análise. Hoje, você recebe uma medida provisória e em 15 minutos tem que dizer se você está a favor, contra ou muito contrário, reclamou.
Sobre a relação da Câmara com o Senado, ele diz que, se eleito, manterá uma postura de independência. Eu acho que em algumas situações a Câmara não pode abrir mão de sua competência. Seria até prevaricação, se você é obrigado a praticar certos atos você se omite ou permite que outros o façam, disse.


