O candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) anunciou ontem, em Londrina, que vai lançar seu plano de governo na próxima segunda ou terça-feira em Curitiba. A convite do tucano Beto Richa, candidato a governador, ele assistiu ao jogo entre Brasil e Holanda no centro de eventos do Hotel Sumatra, na primeira visita ao Norte do Paraná durante a atual campanha presidencial.
Acompanhado por Beto e pelos candidatos a vice-governador Flávio Arns, e ao Senado Gustavo Fruet, ambos do PSDB, Serra contou também com a companhia de centenas de correligionários que, munidos de balões e vuvuzelas, fizeram muito barulho na chegada do candidato ao hotel.
Em coletiva concedida no intervalo do jogo, Serra justificou a escolha da capital paranaense para o lançamento da campanha pela relação afetiva que tem com o Paraná. ''Vou me sentir em casa'', disse, enfatizando que tem ''parceiros incríveis'' no Estado, referindo-se a Beto, Fruet, Arns e o aliado Ricardo Barros (PP), candidato a senador. Ele afirmou, ainda, que os curitibanos costumam resumir o comportamento da média nacional da população. ''Quando as empresas vão lançar algum produto no Brasil, lançam primeiro em Curitiba'', explicou.
Questionado sobre a conjuntura instalada no Estado após a escolha do deputado carioca Indio da Costa (DEM) para o cargo de vice-presidente em detrimento do paranaense Alvaro Dias, Serra evitou polemizar. ''O Alvaro Dias teve um comportamento digno. Infelizmente havia determinado entendimento que se frustrou, mas não foi por culpa do Alvaro, nem minha, nem do DEM, nem de ninguém, foi outro tipo de problema. Alvaro se comportou muito dignamente e vai estar, sem dúvida, me ajudando na campanha'', disse.
Ele também minimizou o impacto do anúncio do senador Osmar Dias (PDT), irmão de Alvaro, ao governo do Estado em coligação ao PT e PMDB, o que garante palanque à candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff no Paraná. ''Na disputa há concorrentes, rivais, que lutam para ganhar assim como eu luto para ganhar. Não dá para dizer que competidor atrapalha.''
Sobre o seu Indio da Costa, ele classificou como ''um homem jovem, dinâmico e que liderou o Projeto de Lei Ficha Limpa. Aprendi a admirá-lo vendo entrevistas em programas de televisão. Foi uma bela escolha'', avaliou.
Ao final do jogo, o tucano não entrou em detalhes sobre o conteúdo do plano de governo ou o tom que pretende imprimir à campanha, mas ressaltou que não terá ''duas caras''. ''Vou expor o que penso e participar dos debates. Quem não se expõe, não quer ser julgado'', disse Serra, referindo-se à oponente Dilma Rousseff. Diante da insistência dos jornalistas sobre o tema, ele justificou que não estaria em condições de comentar o plano de governo por causa da derrota da seleção brasileira para a Holanda. ''Estou triste, frustrado e chateado.''
Outro assunto deixado de escanteio por Serra foi a pesquisa eleitoral divulgada ontem pelo Datafolha, que lhe aponta com uma pequena liderança. ''Não comento pesquisas. Se comentasse, não ia fazer outra coisa.''. Ele enfatizou, também, que não se sente obrigado a assinar uma ''carta de compromisso'' garantindo a continuidade dos programas assistenciais do governo Lula. ''Não vejo por que fazer isso, até porque estou na origem de muitos desses programas sociais. Quem diz o contrário está plantando boatos, fazendo calúnias e terrorismo.''

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