Serra usará vitrines sociais na disputa
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Julia Duailibi<br> Agência Estado 
São Paulo - Na corrida pela conquista do eleitor de baixa renda, maior parte do eleitorado e fiel da balança na disputa presidencial, as principais vitrines sociais do governo do tucano José Serra serão encorpadas e servirão de arma na campanha eleitoral deste ano. A ideia no PSDB é usar iniciativas de cunho popular no Estado para neutralizar o discurso social do governo e do PT, principalmente na campanha eleitoral no rádio e na TV.
A contabilidade tucana para este ano prevê a expansão do programa de microcrédito, o anúncio da liberação dos créditos da Nota Fiscal Paulista numa frequência maior, a duplicação dos Ambulatórios Médicos de Especialidades e até a abertura de restaurantes populares em comunidades carentes. Tudo casado com uma maratona de inaugurações, antes do prazo para a desincompatibilização de quem ocupa cargos no Executivo, em 3 de abril.
A ação dos tucanos ocorre num momento em que o governo prepara uma série de eventos para relacionar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a projetos sociais. Até abril, a petista terá o nome vinculado, por patrocínio do governo, aos lançamentos do PAC 2, do Plano Nacional de Banda Larga e do projeto de Consolidação das Leis Sociais, que Lula quer deixar como legado na área.
As vitrines tucanas não só municiarão o futuro candidato no debate eleitoral, como devem ilustrar e balizar o programa de governo do partido. Somam-se a elas outras iniciativas de Serra que o PSDB aposta que terá repercussão nacional, como o recente anúncio do novo salário mínimo regional, de R$ 560. Depois de debates internos entre integrantes da equipe econômica de Serra, o governo estadual resolveu mudar o critério de reajuste para conceder neste ano um aumento acima do que estava previsto.
Na semana passada, Serra ensaiou agenda de campanha e inaugurou na Brasilândia, zona norte da capital paulista, um dos restaurantes Bom Prato, que vendem almoços a R$ 1. Mas a ida do governador ao local teve um componente diferente. Aquele foi o primeiro modelo inaugurado em uma comunidade carente - as 30 unidades anteriores foram abertas em locais de passagem, como ruas de comércio popular e estações do Metrô. A orientação agora é que este novo modelo seja levado para outras comunidades até o final da gestão - as próximas serão Paraisópolis e Heliópolis, a maior favela da capital paulista. Beneficiado por esses programas, o eleitor que ganha até dois salários mínimos corresponde a mais da metade do eleitorado.


