Brasília ᖠUma longa conversa sobre planos políticos e detalhes da briga com o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), foi travada na última quarta-feira entre o ministro da Saúde, José Serra, e o governador Itamar Franco (PMDB). Dessa forma, Serra tenta seduzir Itamar para a campanha a presidente.
A conversa era para falar da liberação de verba de R$ 8 milhões para a ampliação do Hospital Universitário de Juiz de Fora (MG), mas o ministro foi além: comunicou ao governador o interesse em abrir ampla frente de combate à dengue em Minas. E afirmou que o Ministério está aberto para tudo o que Itamar precisar.
Não havia necessidade de o ministro ter ligado ao governador do PMDB para falar da liberação dos recursos, pois todas as negociações para a transferência do dinheiro foram conduzidas pelo deputado Custódio Mattos (PSDB-MG) que, como Itamar, também é de Juiz de Fora.
Nos meios políticos, o interesse de Serra por Minas seria um recado do Palácio do Planalto para o governador peemedebista: se mostrar interesse em apoiar Serra, não faltará dinheiro para projetos no Estado.
Assim que os políticos mineiros ficaram sabendo que o ministro havia ligado para Itamar e conversado sobre tudo – até política –, começaram as especulações, a ponto de se pensar em possível composição entre os dois.
O governador poderia ser o candidato a vice-presidente na chapa de Serra, numa aliança PSDB-PMDB, fortíssima em Minas Gerais e em Estados grandes, como São Paulo, Paraná e até no Rio. Ou disputar uma vaga de senador, numa composição com os tucanos.
Além disso, afastando Itamar da reeleiçao a governador, o PSDB ficaria imbatível num confronto com Cardoso. Mas Mattos, que é amigo de Itamar, diz que ainda não dá para saber o que o governador fará.
‘‘Itamar Franco brigou com Newton Cardoso e isso já remete-nos para a sua lógica política da proximidade das eleições. Ele põe-se num ponto em que é capaz de fazer qualquer coisa, que ninguém saberá com antecedência.’’ Mattos acrescenta que ‘‘ele tanto poderá ser vice de Serra, candidato a senador ou à reeleição ou até mesmo se unir ao PT, pois é assim que age’’. O deputado ainda lembra de importante detalhe:‘‘Itamar é, de verdade, muito amigo de Serra e de Aécio Neves’’.
Um outro amigo do governador testemunhou conversas com o ministro da Saúde e o presidente da Câmara, em que o peemedebista falou das diferenças pessoais que tem com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que não são incontornáveis. Esse amigo, que é dirigente do PSDB, diz que tem informações de que, para atrair Itamar a Serra, FHC esqueceria qualquer divergência com o governador e agiria dentro do interesse político. Significa que uma adesão do governador ao candidato do partido seria abençoada pelo presidente.

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