Curitiba - Falando pela primeira vez oficialmente como candidato à Presidência da República, ontem no Paraná, José Serra (PSDB) fez questão de mostrar que, caso seja eleito, pretende dar continuidade e ainda ampliar projetos sociais do atual governo federal. Com uma plateia formada por muitos profissionais da área de Assistência Social, ele relembrou os programas de transferência de renda criados no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e anunciou que pretende, por meio da ampliação do Bolsa Família, mudar a condição de vida das 15 milhões de famílias brasileiras abaixo da linha da pobreza.
''O Bolsa Família não pode ser a 'barriga de aluguel' da assistência social. Se reduzíssemos um pouco os juros que o país paga, poderíamos dobrar a capacidade do programa e erradicar a pobreza de todas as famílias. Eu asseguro que isso é possível'', discursou. Para demonstrar sua experiência no assunto, ele elencou os programas sociais criados e assumidamente copiados enquanto era governador do Estado de São Paulo.
Acompanhado do candidato ao governo do Paraná Beto Richa (PSDB), Serra disse que veio a Curitiba recolher ideias novas. Questionado se, assim como o candidato à Presidência, pretende dar continuidade aos programas implantados pelo atual governo do Estado - de Roberto Requião e Orlando Pessuti - Beto alega que não vê necessidade de ''desfazer ou desmerecer o que os outros governos fizeram''. ''Tudo que tem de bom vamos melhorar e ampliar.'' Ele também fez o lançamento de seu plano de governo ontem, mas não comentou as propostas nos eventos em que esteve acompanhado de Serra.
Serra anunciou que vai criar em âmbito nacional o Programa Mãe Brasileira, inspirado no programa Mãe Curitibana existente na capital. ''Quando eu era prefeito em São Paulo, copiei e fiz o programa Mãe Paulistana. Agora vamos fazer o Mãe Brasileira.''
Ele disse que pretende criar 150 ambulatórios de especialidades médicas com capacidade para 15 mil consultas e 40 mil exames laboratoriais e de imagens por mês; retornar com os mutirões para aliviar filas existentes na área, como por exemplo, por exames de mamografia e de detecção de diabetes. Para a Educação, a meta é criar 1 milhão de novas vagas no ensino técnico.
Questionado sobre o fato de o PSDB não ter entregue documento escrito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as diretrizes de governo, Serra se defendeu dizendo que as diretrizes estão escritas e foram entregues. ''O detalhamento é que será feito ao longo dos meses. Estão lá a questão da democracia, das liberdades, a questão do estilo de governo. As prioridades do governo são segurança, saúde, educação, inclusive educação profissional, e infraestrutura para permitir que o Brasil se desenvolva'', afirmou.

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