Serra pode perder com redução na Selic
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Sérgio RipardoAgência Folha 
São Paulo - O corte de meio ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), anunciada como de 18% ao ano, ontem, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), cria um debate público sobre eventuais pressões políticas sofridas pelo Banco Central ®MD77¯(BC)®MDNM¯e pode repercutir mal para a candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência, na avaliação do diretor da corretora paulista Planner, Luiz Antônio Vaz das Neves. A instituição é uma das mais atuantes no pregão da Bovespa.
Ele considera que a oposição poderá explorar politicamente a notícia sobre uma suposta visita de José Serra ao presidente Fernando Henrique Cardoso para pedir um corte dos juros e melhorar sua situação na campanha eleitoral.
Neves, porém, estima que a redução dos juros é uma decisão ''inócua'', pois as taxas de juros reais, adotadas pela chamada economia real, continuam elevadas, desestimulando o consumo e o crédito.''Não vai acontecer nada com um corte de juros de meio ponto percentual'', diz.
Segundo ele, o investidor estrangeiro ainda não reagiu à redução da Selic, ou seja, não houve um movimento expressivo de ordens para compra de ações. ''Vai ser um parto difícil trazer o estrangeiro de volta ao nosso mercado'', afirma.
Sem influência- O presidente nacional do PSDB, José Aníbal, considerou a decisão do Copom de reduzir a taxa de juros Selic de 18,5% para 18% um gesto de confiança no quadro político, uma vez que todos os candidatos à Presidência já manifestaram preocupação com o equilíbrio macroeconômico. Mas evitou comentar os efeitos que terá para o candidato do governo, José Serra, caso seja criado um ambiente mais favorável para a economia.


