O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem que o presidente do PPB Paulo Maluf e o ex-presidente Fernando Collor de Melo devem ser investigados e, se necessário, processados judicialmente caso fique comprovado o envolvimento dos dois no esquema para a divulgação de uma suposta empresa fantasma nas Ilhas Cayman, da qual seriam sócios o presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Serra, o governador de São Paulo, Mário Covas, e o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta - já falecido. ‘‘Eles aparecem tentando dar curso, no mínimo, a uma fraude absolutamente vergonhosa’’, afirmou o ministro, ressaltando, porém, que não tem provas se os dois estão, de fato, na origem da armação.
Maluf teria tentando convencer o PT a fazer as denúncias contra o governo ainda durante a campanha eleitoral. Já Collor, que também teve acesso aos papéis de um susposto depósito de US$ 386 milhões na empresa fantasma, pediu ao senador Djalma Falcão (PMDB- AL), para que levasse a história à tribuna do Senado. Esse foi o segundo ataque de Serra a Maluf desde que as denúncias foram divulgadas, no domingo.
Na segunda-feira, o ministro e Covas disseram que iriam processar os responsáveis pela fraude e acusaram o ex-prefeito de São Paulo de ter tentado se favorecer eleitoralmente. Na ocasião, porém, Serra foi mais cuidadoso. Não levantou suspeitas de que Maluf poderia ser um dos mentores da armação contra os tucanos.
O ministro, que participou de um debate ontem na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), criticou o ex-prefeito por ter usado suas filhas no caso, Lina e Lígia. As duas procuraram a deputada federal Marta Suplicy, então candidata ao governo de São Paulo, para pedir que ela fizesse a denúncia publicamente nas vésperas das eleições.
Serra voltou a dizer que desconhece qualquer empresa no exterior montada por ele com o presidente. ‘‘Um coisa eu posso garantir: não sei nem onde fica as Ilhas Cayman’’, afirmou.’’
Portugal O ‘‘Jornal de Notícias’’, o mais vendido em Portugal, publicou ontem matéria de meia página sobre a acusação de que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria uma empresa nas Ilhas Cayman. Com o título ‘‘Escândalo no Brasil envolve presidente’’, a matéria conta que o ex-candidato Paulo Maluf teria procurado dirigentes do PT com a denúncia de que o presidente, o ministro da Saúde, José Serra, e o governador de São Paulo, Mário Covas, teriam uma empresa nas Ilhas Cayman com um saldo bancário de 368 milhões de dólares.

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