O ministro da Saúde, José Serra, voltou a negar ontem, Curitiba, que esteja demissionário do cargo. Segundo ele, quem declarou que a demissão seria anunciada desconhece a relação do presidente Fernando Henrique Cardoso com seus ministros, e a relação da pessoa do presidente com o ministro José Serra. ‘‘É um desconhecimento completo, estão por fora. Se eu não permanecesse no cargo, a primeira pessoa a saber seria o presidente da República e não os jornalistas’’, limitou-se a dizer ao ser perguntado sobre a possibilidade de perder a pasta.
Serra disse que concorda com a opinião do senador Antônio Carlos Magalhães, que comentou que se algum ministro prejudicasse o governo, deveria ser demitido. ‘‘Eu estou de acordo com ele. Se ele (ACM) próprio fosse ministro e atrapalhasse o governo, também seria demitido. Assim como eu’’, argumentou. Para Serra, a declaração de ACM foi ‘‘em tese’’, com o senador se colocando no lugar do presidente.
O ministro disse ainda que o aumento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é importante e deve ser aprovado pelo Congresso. Ele garantiu que os recursos da CPMF foram destinados à Saúde, o que não aconteceu com outras verbas, como a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
A insegurança em torno da permanência de Serra no Ministério da Saúde foi provocada pela repercussão de uma nota da assessoria econômica da pasta. O documento afirmava que a CPMF não teria beneficiado a Saúde. Depois de uma conversa com o presidente, em seguida ao incidente, Serra disse que a nota era ‘‘apenas técnica, sem conotação política’’.Marcelo AlmeidaFirmeSerra: ‘‘Se eu não permanecesse no cargo, a primeira pessoa a saber seria o presidente e não os jornalistas’’Adriana Ribeiro

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