Sinop (MT) – Ao discursar, na noite de quarta-feira, para uma platéia de tucanos no lançamento, em Mato Grosso, de sua candidatura à presidência da República, o ministro da Saúde, José Serra, criticou ‘‘o populismo esquerdista’’ e o conservadorismo, chamado de ‘‘forças do atraso’’. ‘‘A ameaça ao Brasil no nosso futuro não é apenas o populismo esquerdista’’, afirmou Serra. ‘‘Olhem para a Argentina. Era um governo conservador. Nós temos que combater , portanto, em duas frentes: aqueles que são do contra e aqueles que não são contra nada, mas, chegando no governo, não fazem nada a favor do povo de maneira sustentada, permanente, responsável.’’
Perguntado se estava se referindo às candidaturas do petista Luiz Inácio Lula da Silva e da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), Serra desconversou. ‘‘Eu me referi a forças sociais, não me referi a pessoas nem a candidaturas específicas’’, afirmou, ao deixar o Sesi Clube, onde cerca de mil pessoas participaram de encontro do PSDB, muitas delas vestindo camisetas e bonés com a frase: ‘‘Serra, o nome do presidente’’.
Serra criticou também as campanhas dos partidos na TV. ‘‘A pasteurização já está chegando às idéias’’, disse. ‘‘Daqui a pouco, vai estar todo mundo dizendo a mesma coisa, porque tudo se terceiriza: contrata, pede um paper, um trabalho e tal, e aí vai repetindo’’, disse. ‘‘Ficou tudo parecido: se o sujeito tem voz fanhosa, aparece como voz de barítono; é baixinho, aparece como jogador de basquete; é irritadiço, aparece como um sujeito de bom humor sempre, que não é o meu caso.’’
O ministro conclamou os tucanos de Mato Grosso a entrar na campanha com o ‘‘bico afiado para bicar quem atrapalha, quem se opõe ao progresso e quem se opõe ao desenvolvimento’’.

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