Salvador - Na sua intervenção pública mais contundente, o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, fez anteontem, na Convenção Nacional, em Salvador, um forte discurso de oposição no qual atacou o apadrinhamento, o aparelhamento do Estado e os políticos ''neo-corruptos''. Os tucano desfiou um rosário de ''verdades eternas'', tratadas como valores dele e de seu governo, se for eleito em outubro próximo.

Sem falar explicitamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra comparou as suas ''crenças'' com as práticas de oito anos de PT no poder, disse que os chefes de governo não podem acreditar que personificam o Estado e, citando Luis XIV, acrescentou: ''Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses''.

Além da defesa do Estado de Direito e da crítica a quem ''desdenha a democracia nas ações diárias'', Serra disse que o Brasil precisa se afastar de ''três recordes internacionais'': uma das menores taxas de investimento público do mundo, a maior taxa de juros do mundo e a maior carga tributária de todo o mundo em desenvolvimento. O tucano repetiu a biografia apresentada na pré-convenção, em Brasília, em abril passado, falou do político de origem pobre e que estudou em escola pública, e concluiu: ''Não comecei ontem, não caí de paraquedas'' e, ''comigo, o povo brasileiro não terá surpresas''.

'ACREDITO'
Ao longo do discurso, Serra citou 13 vezes a palavra ''acredito'' para se diferenciar do governo Lula e do PT. Citou também 9 ''necessidades e esperanças'' que ele considera serem objetivos da ''maioria dos brasileiros''.

Adversário
Ao criticar duramente o governo Lula, reforçando o papel de adversário da atual gestão petista, o tucano fez uma inflexão em relação à posição de cautela que vinha adotando em toda a fase de pré-campanha e durante os mais de três anos que comandou o Palácio dos Bandeirantes.

''Quem justifica deslizes morais dizendo que está fazendo o mesmo que os outros fizeram ou que foi levado a isso pelas circunstâncias deve merecer o repúdio da sociedade. São os neo corruptos'', declarou o candidato, em discurso de mais de 40 minutos para uma plateia de cerca de 5.000 pessoas, no Clube Espanhol, em Salvador.

Ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, ex-prefeito paulistano e ex-governador de São Paulo, Serra enfatizou a sua trajetória política. Essa é uma das estratégias do PSDB na eleição, a comparação de biografias. Sem citar a principal adversária, a candidata do PT, Dilma Rousseff, o tucano falou sobre falta de experiência política da petista que nunca disputou eleição. Foi quando disse a frase: ''Não comecei ontem e não cai de para-quedas''.

PROMESSAS
O tucano aproveitou para fazer promessas nas áreas da educação, saúde e assistência. Disse que, se eleito, abrirá 1 milhão de novas vagas em escolas técnicas e que colocará dois professores por sala de aula no primeiro ano do ensino fundamental.

Para a plateia baiana, maior colégio eleitoral do Nordeste, o candidato prometeu melhorar o Bolsa-Família e ampliar a rede de proteção social para atingir 27 milhões de pessoas.

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