Brasília - ‘‘Nada contra a estabilidade. Tudo contra a desigualdade’’. Este será o lema da pré-candidatura do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), à Presidência da República, que, com o apoio das lideranças tucanas, foi lançada ontem em Brasília.
A cerimônia foi realizada no Espaço Cultural da Câmara com a presença dos principais líderes do partido, incluindo o governador do Ceará, Tasso Jereissati, que, isolado, renunciou à pré-candidatura em favor de Serra. Para evidenciar o tom conciliatório, Tasso ficou ao lado do ministro durante o lançamento.
Em seu discurso, Serra firmou compromisso de manter as conquistas do atual governo. O único não-tucano citado foi o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, pré-candidato do PMDB à Presidência e um dos maiores críticos de Fernando Henrique Cardoso.
Serra fez questão de lembrar que foi Itamar, durante o seu governo, entre 1992 e 1994, que levou FHC ao Ministério da Fazenda. Fernando Henrique lançou o Plano Real, base de sua candidatura à Presidência, em 1994. ‘‘Muitos tentaram (controlar a inflação), mas foi apenas o presidente Fernando Henrique Cardoso, levado por Itamar Franco ao ministério da Fazenda, que conseguiu acabar com a inflação’’, afirmou.
O ministro disse ainda que o Plano Real ajudou a melhorar a vida das pessoas, e que irá fazer ‘‘aquilo que não foi possível realizar no atual governo’’ – sem, no entanto, citar o que teria ficar para trás.
O presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), revelou que Serra deverá deixar o Ministério da Saúde antes de 24 de fevereiro para retornar ao Senado e se dedicar à campanha eleitoral. Aníbal não fixou data, mas disse que Serra pode sair logo depois do carnaval.
Tasso - Por mais que os líderes queiram pintar uma situação diferente, o governador Tasso Jereissatti não deixou transparecer apoio incondicional à campanha do pré-candidato à Presidência pelo PSDB. Mas disse que vai oferecer o palanque no Ceará a José Serra. Indagado se subiria no palanque com o ministro, foi claro: ‘‘Eu subo no palanque do meu partido. Sequer cheguei a pensar de forma diferente’’.
Tasso disse que a responsabilidade de alavancar a candidatura de José Serra é do próprio candidato. Com isso, anunciou que não vai percorrer o País junto com o ministro da Saúde, no período da campanha eleitoral, pois tem de se dedicar às ações do Estado e à candidatura do senador Lúcio Alcântara ao governo do Ceará. ‘‘Tenho de cuidar do Cearᒒ, enfatizou, descartando a participação na coordenação da campanha do ministro.
Um dos focos de resistência à candidatura de Serra, Tasso disse que decidiu participar do lançamento da pré-candidatura depois de conversar com vários representantes do partido e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.
O governador cearense não confirmou o telefonema de Serra lhe convidando para a cerimônia de ontem. ‘‘O que importa é que estamos juntos no partido. Eu não deixaria de apoiar o partido em função de um telefonema’’, acrescentou. E comentou a amizade com Serra, dizendo que ‘‘isto está parecendo um filme de Hollywood. Somos apenas bons amigos’’.

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