Serra está abaixo do potencial de votos
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Ariosto Teixeira<br>Agência Estado 
Brasília - A situação do candidato da aliança PSDB-PMDB ficou mais difícil, nesta fase da campanha, com a confirmação, pelo Ibope divulgado anteontem pelo Jornal Nacional da Rede Globo, que a sua candidatura enfrenta uma tendência de queda na preferência dos eleitores. Enquanto Ciro Gomes chegou a 26%, porcentual que já havia sido detectado pelo instituto Vox Populi que lhe atribuiu 27%, o tucano caiu para 13% e ficou tecnicamente empatado em terceiro lugar com o candidato do PSB, Anthony Garotinho, que obteve 11% das indicações. Segundo a analista de pesquisas do Grupo Estado, Fátima Pacheco Jordão, ''com esse porcentual, Serra está muito aquém do seu potencial de votos revelado nas simulações de segundo turno, em que ele obtém 36% num confronto contra Luiz Inácio Lula da Silva, o líder das pesquisas''.
Na pesquisa em que o entrevistado é convidado a escolher um nome de uma lista, Lula consegue 33%, um ponto a menos que na última pesquisa. A diferença pró-Ciro é de 13 pontos e pró-Lula é de 20 pontos. Esse retrato da atual tendência do eleitorado mostra, em primeiro lugar, que Ciro está acertando no discurso e na sua estratégia de campanha. Serra, ao contrário, revela que não tem um discurso atraente ou que não consegue ser bem entendido pelo eleitor. Fátima Jordão considera que os números de todos os candidatos, sobretudo os de Ciro, não devem ser mais vistos como decorrência da superexposição que tiveram na televisão em junho, mas sim como consequência das atividades de campanha, dos comícios e das aparições na mídia espontânea. Ciro tem se saído melhor, na percepção dos eleitores, que Lula, Serra e Garotinho e, por isso, experimenta um momento excepcional de crescimento.
Esse novo olhar do eleitorado faz com que Lula e Serra percam votos persistentemente. Nas últimas quatro pesquisas do Ibope, de fato, Lula caiu de 38% para 33% das intenções de voto e Serra de 19% para 13%. O que se deve esperar no desenrolar da campanha de rua, até o dia 20, quando começa o horário eleitoral de propaganda gratuita, são mudanças táticas e estratégicas nas campanhas que estão perdendo terreno. ''Não será um período fácil para Ciro'', acredita Fátima Jordão.


