Belo Horizonte - O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) chegou ao primeiro debate entre os candidatos à Presidência sob protesto e vaias dos professores da rede estadual de Minas Gerais, que estão em greve e cobram melhora no piso da categoria. Para os cerca de 150 manifestantes, ''Serra, Aécio e Anastasia'' são a mesma coisa, numa referência aos tucanos ex-governadores de São Paulo e Minas Gerais e atual governador do Estado, Antônio Anastasia. Mas foi a ex-ministra Dilma Roussef quem realmente enfrentou vaias da plateia do congresso mineiro de municípios, que reuniu ontem cerca de 400 prefeitos e parlamentares em Belo Horizonte.
Serra precisou ser escoltado por policiais militares e seguranças particulares para chegar ao palco auditório. O tucano negou os boatos de que teria sido agredido por um professor. O Serra que subiu ao palco foi um candidato muito diferente dos debates públicos realizados durante sua campanha anterior para a Presidência da República, em 2002. Para muitos espectadores, o Serra de hoje era uma espécie de versão ''paz e amor''.
Descontraído e conciliador, o tucano disse que, embora possa soar como ''heresia'', se for eleito presidente, vai querer o PT e o PV fazendo parte de seu governo. Ele brincou, fez piada com as candidatas e até conseguiu tirar de uma nervosa Dilma Roussef, estreando num debate entre candidatos, sua única brincadeira da tarde. Quando Serra disse que o evento não era um ''Fla x Flu'' ou um ''Atlético x Cruzeiro'', Dilma foi obrigada a confessar que é atleticana. Mas não foi a vaia dos cruzeirenses que marcou sua participação.
A ex-ministra foi vaiada quando disse que o governo Lula evitou que os municípios brasileiros fossem arrasados pela crise financeira mundial porque concedeu benefícios tributários para salvar a atividade econômica. Os prefeitos, prejudicados pela queda na arrecadação, não perdoaram. Foi o gancho para Serra usar um discurso típico dos prefeitos contra a União: não dá para fazer caridade com chapéu dos outros. Foi aplaudido. Serra lembrou que as perdas dos municípios, com a desoneração tributária, foi de R$ 3,5 bilhões e a compensação muito menor.
Dilma aproveitou todas as oportunidades que teve para fazer propaganda do governo, com citações sobretudo do PAC. Perdeu a chance de responder perguntas. Já Serra e a ex-ministra Marina Silva (PV), com anos de treino de discursos no Congresso, pareciam bastante relaxados no primeiro confronto. Falando com dificuldade, por causa de uma gripe, a ex-ministra do Meio Ambiente foi a mais aplaudida. Seu estilo calmo, mas franco, agradou aos prefeitos. Parecia ter aliados tanto na claque de Serra quanto de Dilma.

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