São Paulo - Numa eleição na qual o fantasma da ruptura econômica não ronda mais o debate, os dois principais pré-candidatos à Presidência da República, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), começam a moldar
seus discursos para o empresariado reforçando a marca ‘‘desenvolvimentista’’ das suas candidaturas.
Tanto o tucano quanto a petista estiveram com empresários nos últimos dias, em palestras e visitas a entidades de classe em Minas, Rio Grande do Sul, Ceará e Rio Grande do Norte. Nesses contatos, que tendem a aumentar com a proximidade da eleição, e nas conversas que mantém como os empresários e os economistas, deram pistas de como será o plano de governo para o setor produtivo e, especificamente, para a indústria.
Nos encontros, Serra e Dilma têm sido uníssonos na defesa de uma política industrial ativa. ‘‘Em alguns momentos, havia um constrangimento de discutir a questão, que era vista como coisa anacrônica’’, lembra o economista Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp.
Os dois pré-candidatos defendem políticas de desoneração das exportações, de compras governamentais ativa e de incentivo à inovação tecnológica. ‘‘Não há diferenças essenciais, mas de apresentação. Há um campo-comum entre os dois e divergências na margem’’, afirma o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, destacando o fato de ambos terem passado pela Unicamp, escola de pensamento econômico tida como mais heterodoxa.
Uma vez que a manutenção do tripé macroeconômico (metas de inflação, ajuste fiscal e câmbio flutuante) não é colocada em questão nesta eleição, as diferenças, segundo empresários e economistas, ficam mais restritas às políticas monetária e fiscal.
‘‘Na maior parte do tempo há convergência entre os dois. Há diferenças sobre a condução da política monetária. Serra é mais rigoroso do ponto de vista fiscal e menos do monetário. É a favor de um câmbio mais competitivo. Isso não significa que vai fazer retrocesso na administração do câmbio, mas que defende um Banco Central mais ativo’’, completa Giannetti Fonseca.
Produção
O câmbio, ao lado da reforma tributária, está no cerne da discussão sobre política industrial. O tucano avalia que o corte dos gastos com custeio permitirá a queda nos juros, o que depreciará o real e favorecerá a produção nacional. Critica a perda de espaço da indústria nacional para a chinesa e ataca o aumento do deficit em conta corrente.
Em discurso para empresários em Natal, na quinta-feira, Serra disse que ‘‘há pouca agressividade na política de comércio exterior’’ e lamentou a postura adotada pelo Mercosul – crítica que havia feito no começo da semana a empresários mineiros.
Já Dilma tem dito que o Estado foi omisso nos governos anteriores, que faltou planejamento e que a ação forte estatal foi um dos remédios para ajudar o Brasil a passar pela crise internacional. ‘‘Fizemos, fazemos e teremos de fazer política industrial, algo que muitos antes de nós consideravam prova de insensatez e atraso’’, disse há dez dias em palestra a empresários gaúchos. quando afirmou que a ‘‘hora da reforma tributária chegou’’.
Um dos exemplos usados pela petista é o desenvolvimento da indústria naval por meio da política de compras da Petrobras. Também cita o PAC e as desonerações promovidas pelo governo, como a do IPI. Serra cita os investimentos públicos feitos por São Paulo, fala das desonerações do ICMS e cita o pacote anticrise lançado pelo Estado.

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