Serra e Dilma antecipam debate econômico
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terça-feira, 02 de março de 2010
Folhapress 
Sorocaba e São Paulo - Lado a lado dois dias após a divulgação da pesquisa Datafolha, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), criaram ontem um ambiente de debate eleitoral antecipado e, pela primeira vez, explicitaram divergências sobre a economia ao compararem gestões e políticas públicas.
O embate entre os dois pré-candidatos à Presidência ocorreu durante os respectivos discursos na inauguração do complexo industrial da Case New Holland (máquinas agrícolas), em Sorocaba. Último a falar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enalteceu seu governo, antes elogiado por Dilma, e deixou Serra sem direito a tréplica.
A petista destacou que os dois elementos essenciais para o crescimento dos últimos anos foram o consumo e o crédito. ''O mérito do governo do presidente Lula é ter percebido que esse mercado consumidor era talvez uma das nossas maiores riquezas'', disse. A ''pujança do Brasil'', acrescentou, se explica pelo volume de crédito hoje disponível: R$ 1,4 trilhão.
O tucano, por sua vez, fez uma ressalva: ''É importante que a indústria se desenvolva também exportando, não apenas atendendo (...) o mercado interno''. Para ele, são falaciosas as teses de que o Brasil deve permanecer exportador de produtos primários ou focar a economia de serviços.
Em uma resposta indireta a Dilma, que falou do recorde de empregos na gestão Lula, o governador disse que ''grande parte da força de trabalho está subempregada''.
Dilma citou o programa Minha Casa, Minha Vida, como exemplo da visão de Lula sobre economia. Ele destacou o plano de modernização da indústria automobilística quando era titular do Planejamento de FHC.
Lula respondeu a Serra ora direta, ora veladamente. Disse que o Brasil vive um ''momento ímpar'' e é preciso lembrar ''os últimos 30 anos para a gente saber de onde nós partimos e onde nós pretendemos chegar''.
Em nova cutucada ao tucano, Lula disse que foram os bancos públicos que salvaram o país na crise. Na gestão de Serra foi concretizada a venda do Nossa Caixa ao Banco do Brasil. ''Se tivesse mais banco para vender, Serra, eu ia comprar (...) para financiar o crédito.''


